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O Movimento Estudantil e a UNE

 

  Ingressar na vida universitária em um país onde menos de 12% da população tem nível superior é um desafio.  Ainda mais se levarmos em consideração que apenas 27% dos estudantes de Ensino Superior cursam Universidade Pública como vocês. Tudo fica ainda mais estranho se pensarmos que estudar em uma Universidade Pública é um direito. Porém sabemos que, infelizmente, muitos dos direitos que nos são garantidos por lei não são respeitados.

  Ao longo da história de nosso país, o movimento estudantil foi protagonista de importantes mobilizações em defesa da soberania nacional, pela transformação da educação e de nossa sociedade.

  Mas o movimento estudantil tem uma dinâmica e uma política própria, o que não nos permite confundir o seu caráter.

  O fato dos estudantes não formarem uma classe social, mas serem um segmento da sociedade, com base social policlassista, ou seja, composto por pessoas oriundas das diversas classes sociais existentes em nossa sociedade. Nas universidades e escolas encontramos estudantes pertencentes às camadas mais pobres como às camadas mais ricas. Precisamos entender, acima de tudo, que esta composição não nos coloca no centro da luta de classes, "capital X trabalho" ou "burguesia X proletariado". O que não quer dizer que o movimento estudantil não tome posição.

  Escolher um lado não nos permite reproduzir visões de organização de outros movimentos, como por exemplo, o movimento sindical. Pelo contrário, o movimento estudantil deve produzir maneiras próprias de organização que priorize a maior participação dos estudantes nos fóruns de debates e decisões, ao invés de confundi-lo com uma fábrica, um sindicato.

  O movimento estudantil constituiu-se historicamente e seu papel na transformação da sociedade brasileira foi adquirido com a consolidação das nossas entidades representativas, a nossa forma de organização, que teve um marco importante com a criação da União Nacional dos Estudantes (UNE).

  Fundada em 11 de agosto de 1937, na então Casa do Estudante no Brasil, no Rio de Janeiro, a criação da UNE representou naquele momento a unificação dos estudantes na criação de uma entidade máxima, legitimamente reconhecida.

  Reconhecida e com determinação para se articular com outros movimentos da sociedade e já se despontar como uma das principais forças de combate ao nazi-fascismo. Na época a UNE realizou mobilizações em favor da declaração de guerra do Estado brasileiro às potências nazi-fascistas. Embalada pelo princípio de defesa da soberania nacional, a entidade desencadeou a campanha vitoriosa do "O Petróleo é Nosso!" que permitiu a criação da Petrobrás.

  Com uma influência política ampla e consolidada, na década de 60, com a renúncia de Jânio Quadros, a UNE se soma na campanha da Legalidade de Brizola, no Rio Grande do Sul, na defesa da normalidade democrática e pela posse de João Goulart. E não faltou fôlego para a entidade impulsionar um enorme debate sobre a Reforma Universitária.

  Sempre em defesa da transformação da educação superior no país, a entidade organiza nesta mesma década dois seminários importantes sobre o tema, que resultaram em dois importantes documentos: a Declaração da Bahia e a Declaração do Paraná. O conteúdo avançado desses documentos orientou a mais longa paralisação estudantil da história, a conhecida "Greve de um Terço", que chegou a um índice de adesão de 90% dos estudantes brasileiros que exigiam participação de um terço nos órgãos colegiados de administração nas Universidades.

  Além disso, a UNE foi ponta de lança de importantes movimentos culturais brasileiros. A criação do Centro Popular de Cultura e Arte (CPC) foi uma experiência vitoriosa que contou com a participação de artistas como Cacá Diegues, Ferreira Gullar, Vianinha, Gianfrancesco Guarnieri, entre outros.

  Com o golpe militar, a instauração do estado de exceção, o movimento estudantil e a UNE sofreram uma violenta repressão. A entidade teve sua sede invadida e incendiada pela ditadura, a Lei Suplicy de Lacerda colocou a entidade e as demais entidades estaduais (UEEs) na ilegalidade. Sem se render, a UNEi passa a atuar na clandestinidade.

 

 

  Uma passagem que ilustra esse momento histórico na qual a entidade enfrentou foi o 30° Congresso em Ibiúna, que teve mais de 700 estudantes presos. Lamentavelmente, muitos estudantes, além de presos, foram torturados pela ditadura.

  No movimento de redemocratização do país a UNE teve uma participação ativa e uma contribuição imprescindível na campanha das "Diretas Já!". Na época neoliberal a entidade se engajou no movimento "Fora Collor" que resultou no seu impeachment, e nas inúmeras campanhas do "Fora FHC", que atacava a sociedade com medidas que atingiam o caráter público da educação.

  Atualmente, o movimento estudantil atravessa uma crise. Este retrocesso é resultado da ofensiva econômica, política e ideológica do capital e tem efeitos negativos no âmbito da representatividade. Tornou-se muito comum a realização de fóruns com pouca participação dos estudantes e a redução de legitimidade e espaços de debates e decisões.

  Nosso tempo é marcado pelos valores do liberalismo - individualismo, consumismo, competição etc. - que se apresenta como um obstáculo à formação de espaços de organização da juventude. Outro fato importante de destacar são as estruturas que não privilegiam maior interação e tornam as entidades distantes dos estudantes.

  Com a UNE não é diferente. Por seu acúmulo histórico, é necessário defender o fortalecimento da entidade como legítima representante dos estudantes brasileiros e, ao mesmo tempo, iniciar um movimento para que a entidade volte a defender a transformação da educação e da sociedade.

  Para isso é necessária uma estrutura organizativa que possibilite maior participação dos CAs, Das e DCEs nas instâncias de decisão e na organização dos debates e iniciativas da UNE. Além disso, é muito importante o nosso reconhecimento e participação em espaços de produção cultural e artística, como os CUCA´s (Circuito Universitário de Cultura e Arte) e nas campanhas, Jornadas e nos Conselhos das entidades.

  A construção de uma UNE mais presente no cotidiano dá-se com a atuação nas entidades de base e gerais (CA´s, DA´s e DCE´s) e no combate à práticas que tentam dividir de forma autoritária o movimento, ignorando as conquistas e negando as contradições existentes no movimento estudantil, ao invés de incorporá-las visando a superação.

  Com um método antidemocrático, alguns grupos sectários se apoderam dos meios políticos e econômicos das entidades onde atuam e, sem um debate com o conjunto dos estudantes, fortalecem o divisionismo no movimento estudantil, tentando construir algo "totalmente novo e livre de contradições". E muitas vezes com reuniões à portas fechadas, a revelia dos estudantes. A isto damos o nome de "aparelhamento".

  O ano de 2009 se inicia com enormes desafios. Em março teremos a Jornada de Lutas em defesa da educação organizada pela UNE e que contará com a participação de diversos movimentos sociais. Neste mesmo mês teremos o 57° CONEG (Conselho Nacional das Entidades Gerais), que deve convocar o 51º Congresso da UNE para julho na cidade de Brasília. Esperamos ver a Bio, assim como as demais representações da USP por lá.

  O momento é de unidade para avançar na construção da Universidade Popular e para isso é necessário construir uma UNE forte e representativa. Essa luta se dá através dos Centros e Diretórios Acadêmicos, Diretórios Centrais, executivas de cursos.

  Nosso objetivo é contribuir com a formação de uma estrutura mais participativa que possibilite a nossa coesão na luta pela transformação da educação e da sociedade! Ousar lutar, ousar vencer!

Alexandre Cherno, estudante de Letras da Universidade Federal de São Paulo e Diretor da UNE.

 

 

 

 

 
 
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