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Manuscrito especial de calouros

Sejam muito bem vindos!
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O índice não está disponível na versão on-line d’O Manuscrito, “... porque aquilo que ainda não foi impresso, continua sendo escrito à mão...” DCE-Unifesp – Fevereiro de 2007 – Gestão “Contra~Corrente”

Editorial

É com entusiasmo diferente, e maior, que recebo os calouros do ano de 2007. Calouros da nova Unifesp, que agora abrange as três principais áreas do conhecimento. Desse entusiasmo brota esse Jornal, que é, de forma revolucionária, diferente dos passados, tanto na diagramação e “arte” quanto e principalmente no conteúdo. Pode-se dizer que essas mudanças no jornal refletem em parte as mudanças que estão ocorrendo no nosso DCE e que nos dirigem a um caminho politicamente e culturalmente diferente.

Esse Manuscrito pretende apresentar uma visão geral do mundo, Brasil e Unifesp segundo o olhar dos estudantes que o escreveram e oferecer a vocês, calouros, informações sobre a nossa realidade, para que você consiga entender o que é a Unifesp vista de dentro e também essas coisas que só temos contato na universidade. Em alguns textos buscamos localizar as coisas no tempo e no espaço, tentando mostrar sua gênese e o seu desenvolvimento. Esses textos ficaram grandes, mas também merecem ser lidos.
Na primeira parte do Jornal discutimos algo da problemática que cerca nossa sociedade e as formas pelas quais elas são manipuladas, antes de serem apresentadas a nós, o povo. Sugerimos caminhos e buscamos soluções para alguns dos problemas, portanto, tentamos cumprir com nosso papel de estudantes universitários do Brasil, país com potencial, porém atrasado.
Também buscamos oferecer notícias sobre qual é a atual posição e participação dos estudantes perante o processo pelo qual passa a Unifesp e a sociedade.
A Unifesp tem problemas, receio avisar a vocês. Falar de problemas num editorial de jornal especial de calouros não é muito aconselhável, mas amigo é aquele que avisa. No decorrer do Manuscrito vocês perceberão quais são as maiores qualidades e os maiores defeitos da Unifesp e as origens de alguns.
No Manuscrito também temos cultura, extensão... ele poderia ser resumido em um guia sobre a Unifesp e o Movimento Estudantil. Esses são alguns dos objetivos desse Jornal.
Para finalizar o Editorial, que não pode ficar muito longo, eu dou parabéns a vocês pelo ingresso na Unifesp e digo que tenho em vocês muitas expectativas. Espero que esse jornal sirva de motivação para vocês começarem a buscar informações sobre as coisas, a lutar por nossos direitos e a cumprir com nossos deveres como estudantes da universidade do povo brasileiro.

O Editor

O Manuscrito
“...porque aquilo que ainda não foi impresso, continua sendo escrito à mão...”

Editor: Cairo Mendes Sobrinho.

Diagramador: Cairo Mendes Sobrinho

Colaboradores: todas as queridas pessoas que escreveram para esse Manuscrito e encontram seus nomes no final dos seus textos, a Pró-Grad, e todos os injustiçados.

Tiragem: 1300 cópias.

Agradecimenos:
Fernanda Senna
Ivandick Rodrigues dos Santos Jr.
Maíra Tavares Mendes
Rubens Luis Folchini Fernandes
Todos os outros escritores
Pró-Reitoria de Graduação.


Sejam muito bem vindos!

Aos calouros do ano de 2007, que esperamos com tanta ansiedade temos a gritar: sejam muito bem vindos! É claro que vocês já devem ter ouvido milhares de “parabéns!!!” de todo mundo mas nunca é demais. O vestibular é muito cruel e quem consegue passar no da Unifesp realmente merece muitos “parabéns!!!”. Parabéns calouros!
Entretanto o clima de “oba oba!” uma hora vai acabar. Pra uns acaba rápido e eles logo se deparam com a realidade. Para outros só termina com o início da terceira idade. Espero que vocês curtam o clima de “oba oba!!!” mas logo se sensibilizem com a realidade e comecem a construir. Construir tudo. O seu campus, o seu Centro Acadêmico, a nossa Unifesp, o nosso Brasil e a nossa América Latina. Talvez não dê tempo de construir o mundo, mas tentar é recompensador.
Tudo é novo para quase todos vocês. As primeiras aulas são sempre diferentes. Todo mundo irá sorrir para você o tempo todo, logo que olhar para tua cara. Principalmente os professores legais. Eles adoram calouros. Vêem nos calouros a chance de formar um bom estudante. Mas depois do segundo ou terceiro ano eles já te olham de cara mais fechada, dependendo da tua simpatia e notas.
A semana de calouros é aquela primeira semana de aula em que você fica sabendo a história da atual Unifesp o que é Reitor, DCE, faculdade, extensão. A cabeça de vocês fica girando de tanta informação. Vocês ficam vulneráveis a todos os convites de veteranos (o que nem sempre é bom porque nem todo veterano é responsável) e fazem o que eles pedem.
Aí está uma preocupação do DCE, pois somos contra trotes, principalmente os ofensivos. Se você sofrer algum tipo de trote e se sinta constrangido ou “violentado” venha no DCE e preste queixa do veterano. Encaminharemos à Pró-Grad e quiçá à polícia se nada for feito.
Mais uma vez: parabéns!!! Aproveitem o momento que é único. Aproveitem a boa vontade dos pais nesses tempos de vitória no vestibular. Aproveitem a fama de vocês na Unifesp. Aproveitem tudo. E participem do DCE, que está sempre de portas abertas para todos vocês e sempre tratará vocês com o respeito que todos os estudantes merecem.

Cairo, Raquel e Erik – do DCE

O DCE da Unifesp

Bem vindos calouros 2007!!! O DCE tem grande prazer em recebê-los nessa que será sua casa nos próximos anos: a Unifesp. Passamos por uma acelerada expansão, nos últimos dois anos quase quadruplicamos o número de vagas oferecidas no vestibular e a expectativa é que a expansão ainda continue.
Apesar do DCE ter diversas críticas ao planejamento e execução da expansão da Unifesp, sempre fomos e continuamos sendo favoráveis à expansão e a abertura de mais vagas públicas no ensino superior brasileiro. Mas exigimos que isso se dê de forma responsável e bem planejada.
O DCE da Unifesp está passando por grandes transformações. Novo Estatuto, reforma do espaço interno, mudança da postura frente aos estudantes (Construção Coletiva), como a campanha “Mutirão – O DCE somos todos!”, fortalecimento do Conselho de Entidades, construção de um site e mais outras pequenas coisas que significam muito.
Temos atualmente, somente, quatro coordenadores eleitos: Cairo Mendes Sobrinho (Coordenador Geral), Erik Halcsik (Coordenador Geral), Raquel Peixoto (Coordenadora de Finanças) e Varum Ribeiro de Farias (Coordenador de Finanças). Esses quatro coordenadores contam com a ajuda dos Centros Acadêmicos e de pessoas especiais desses CAs e de outras que não participam de CAs mas também ajudam o DCE. A perspectiva é de realizar uma eleição para coordenadores das novas coordenadorias até dia 10 de fevereiro, mas como essa matéria foi escrita antes, não poderemos colocar os nomes deles aqui, para que você saiba a quem cobrar.
O DCE serve para muitas coisas. Além de representar os estudantes de graduação da Unifesp em todos os lugares onde eles necessitem ser representados (órgãos colegiados da Unifesp, UNE, congressos mundo a fora, fóruns de discussão, reitoria, pró-reitorias, etc.), nós lutamos por assistência estudantil (bandejão bom e barato em todos os campi, auxílios e bolsas de permanência, auxílio moradia etc), qualidade de ensino, cultura para os estudantes e mais várias outras coisas.
Participar do DCE é muito simples e interessante. Não pense que todo mundo aqui fica só falando sobre política, filosofia ou sociologia, quem somos nós pra isso... aqui tem de tudo e sempre estamos receptíveis ao novo, para novas discussões. Você não precisa ser “expert” em metodologia de avaliação de estudantes, por exeemplo, para vir ao DCE propor que discutamos isso e sugiramos à Pró-reitoria de Graduação um novo modelo de avaliação dos estudantes. Ou até um novo modelo para os estudantes avaliarem os professores. Tudo que construímos aqui é fruto do trabalho de inúmeras pessoas, não só de duas ou quatro. Nosso projetos de extensão, nossas oficinas, nossas teses. Tudo é fruto da construção coletiva que incentivamos mais e mais, acreditando ser essa a saída contra o marasmo que vive hoje o Movimento Estudantil aqui na Unifesp. As coisas estão melhorando aos poucos, mas se não melhorarem envolvendo um grande número de pessoas e sem envolver os novos, que estão chegando, vocês calouros, essas melhorias são insustentáveis. A todo ano a diretoria se renova, a todo ano pessoas que muito faziam se formam e “abandonam” o DCE, deixando um buraco. Quem tem que tapar esse buraco é você, estudante do primeiro ano.
O DCE é subdividido em Coordenadorias e comissões, e participar das comissões e coordenadorias do DCE não implica na obrigatoriedade de ir a todas as reuniões ou perder dias da sua vida. Simplesmente implica na oportunidade de você fazer uma coisa legal, que você gosta, contribuindo com os estudantes (DCE) e aprendendo coisas novas e vivendo novas experiências. Sempre me faço a seguinte pergunta: por que todo mundo não participa do DCE? É muito bom participar da construção da nossa sociedade e do nosso meio e de brinde da construção de nós mesmos. Vocês vão perceber isso um dia.
Esse Manuscrito, que editei com carinho e preocupação com o conteúdo, pode ter ficado extenso demais, mas espero que vocês o leiam todo. Tem muita informação que só ficamos sabendo depois de alguns anos de universidade e que esse ano, estão aí, de bandeja para vocês. Não joguem informação fora, ela servirá um dia. No nosso caso, servirá desde já, pois estamos numa Universidade, e pública, o que conceitualmente nos traz ainda mais responsabilidade.
Falar do DCE é complicado, porque nunca conseguimos expressar tudo o que queremos. É como falar pra uma pessoa muito amada a frase “eu te amo”. Ela nunca expressa tudo que queremos dizer. Com esse texto é a mesma coisa. Não consigo falar tudo que quero do DCE. Resumindo: participem do DCE e só assim vocês entenderão o que esse texto queria dizer e o que o DCE pode ser para vocês.

Cairo – Biomedicina 39

 

Panorama

Qual é nosso contexto?

O nosso a que se refere o título engloba de forma geral a juventude mundial e não somente nós, estudantes brasileiros da Unifesp. Depois desse esclarecimento vamos fazer um breve resumo do texto e, portanto de qual é o nosso contexto. Resumir nosso contexto com uma palavra é simples como a imprensa nos faz pensar o mundo. Eu resumiria nosso contexto na palavra: socialconformismo.
Resumir o contexto foi muito fácil, complicado seria se nós buscássemos a origem desse contexto e especulássemos qual será o seu futuro. Isso requer uma análise histórica e uma dose de conhecimento político. Vamos tentar.
O socialconformismo no qual estamos inseridos é resultado de uma estratégia imperialista de dominação e por favor, não me comparem com as figuras que aparecem na televisão falando essas coisas. Eu falo com a naturalidade de quem constata fatos. Não há nada de revolucionário em constatar esse fato. Até o mais conservador dos conservadores admite que estamos inseridos numa redoma de socialconformismo que tem por finalidade nos alienar e consequentemente nos dominar.
Essa estratégia imperialista de dominação, a da alienação, vem desde Caio Otávio com a política do “pão e circo”, e depois da crise do esgotamento de incrementos de lucro do capital que nossos pais viveram na década de 70 ela assumiu outra forma: fragmentação e televisão. O que nós jovens ouvimos falar da crise de 70 é que ela quebrou com o crescimento de 10% anuais do Brasil e foi provocada pela guerra Iran x Iraque e conseqüente crise do petróleo. Na verdade essas duas coisas são resultado do motivo verdadeiro: a crise capitalista de 70. Ela foi provocada pelo esgotamento do modo de acumulação produtivista que para manter taxas de incremento de lucro precisaria que o os níveis de consumo aumentassem em mesma proporção. Então a saída foi a tecnologia que agrega valor aos produtos, ou seja, agrega dinheiro ao dinheiro fazendo do produto algo mais lucrativo e a financeirização do capitalismo que como vemos hoje, tornou-se surrealmente virtual. A guerra do Iran x Iraque na verdade foi provocada para desviar a atenção da população mundial e elevar o preço do petróleo, quebrando as economias emergentes dependentes e mantendo-as submissas. Mataram dois coelhos de uma só vez.
A nova fase do capitalismo que surgiu dessa crise já tinha sido professada por Marx no “O capital”, e talvez até tenha sido ele o solucionador do problema dos capitalistas. Ele disse, e acontece hoje, que o capitalismo sempre que em tempos de mudanças de hegemonia e turbulência assume uma forma financeira ainda mais flexível para que possa aproveitar as turbulências para gerar lucros. A transição de hegemonia que vivemos, e muitos não querem acreditar, é a que desvia o eixo do mundo dos EUA para a China e Índia. O que talvez “O Capital” não previu foi como a hegemonia em crise, a norte-americana, buscaria manter o poder: por meio do imperialismo rezado pelo neoliberalismo.
Na década de 90, mudanças ainda mais aceleradas ocorreram no capitalismo. Houve uma abrupta financeirização de suas atividades e do dinheiro, tornando a lógica de produção de capital tão virtual que quase surreal. Duas coisas contribuíram para essa financeirização abrupta e violenta: a queda definitiva da União Soviética e a informática. Com o surgimento da internet e a disseminação dos meios de comunicação alienantes as mudanças e a quantidade de informação manipulada se acentuaram de forma muito voraz e isso permitiu ao novo capitalismo um avanço sem nenhuma barreira sobre as formas de vida das sociedades. Uma das estratégias neoliberais e imperialistas para a manutenção do estado social atual (o chamado status quo) foi a disseminação da “grande incerteza”, fazendo com que as pessoas acreditem que estão num mundo de incertezas fica mais fácil de convencer que não adianta pensar no futuro, já que ele é incerto. O que resta a essa sociedade, alienada do pensamento, é viver intensamente o presente, sendo esse “viver” algo intrínseco ao consumismo. A vida condicionada ao dinheiro, ao consumo. É o que vemos o tempo todo sendo veiculado pela publicidade: “a vida é agora”; “para todas as outras coisas existe ...”... e por aí vai. Se a juventude mundial pensasse no futuro e pelo qual processo social e histórico ela está pensando provavelmente ela não o aceitaria e isso causaria muitos problemas aos dominantes. Existiriam muito mais protestos do que existem hoje. Mas enfim, é tudo especulação minha... vai ver que ela sabe e eu que estou enganado achando que ela não sabe.
A idéia que a mídia, que representa o imperialismo/neoliberalismo, quer nos passar é de que “nada é previsível”, de que “em qualquer lugar que nos metermos tudo será competição e incerteza”, de que “devemos nos considerar presidentes de uma empresa de nós próprios, gerenciando nossas vidas como líderes empresariais que tem consciência de que a qualquer momento tudo pode mudar”, de que “devemos escapar da irrelevância” buscando e enfatizando as diferenças entre nós e os outros. Aliás essa política de individualização (que é o contrário de coletivização) é mais uma estratégia de enfraquecimento dos movimentos de resistência ao imperialismo/neoliberalismo, visto que é mais fácil dominar os fragmentados aos unidos. Todos os textos entre aspas citados acima foram retirados de uma entrevista de um “guru” neoliberal chamado Tom Peters à revista Veja.
Luiz Carlos de Freitas, professor titular da Unicamp, fez uma leitura magnífica da entrevista de Tom Peters a revista Veja. Segundo o Professor, poderíamos ler tudo aquilo da seguinte forma: sobreviver na selva de espinhos da competição capitalista e manter as taxas de lucro elevadas, a custas da auto-exploração e da exploração do outro e/ou trabalho do outro, por meio da vulnerabilização de sua resistência criada pelas incertezas dos novos tempos. E isso tanto para a vida empresarial quanto para a vida pessoal. É a empresarizaçao da vida pessoal! Resumo a entrevista de Peters em uma frase ainda menor: devemos ser e viver como os Orcs do “Senhor dos Anéis”!
Quando tentam tornar nosso futuro incerto eles estão tentando evitar a discussão sobre o futuro que queremos para que assim não existam barreiras para o capital ditar qual será nosso futuro de forma que esse futuro possa favorecer a manutenção das taxas de incremento de lucro. Assim plantam um clima de que não há futuro, há o agora. Carpe Diem! Essa é uma justificativa social muito recorrente para a alienação e quem a veicula é a mídia, em especial a televisão, refém do capital publicitário neoliberal.
Outra estratégia para a alienação do futuro é a fragmentação da vida e da notícia que provoca o fenômeno do crescente individualismo que junto com a incerteza sobre o futuro e a necessidade de viver o presente gerindo a vida como se ela fosse uma empresa em meio a altos riscos e turbulências econômicas, formam a dupla que provocam a doença do século passado e muito provavelmente a desse também: o estresse. É sério! Ninguém consegue viver tendo que acordar todo dia precisando vencer a concorrência em meio à selva do capital. Ao invés de sermos individualistas, vamos ser coletivistas e seremos muito mais felizes. Sorrisos. Será porque que a televisão não diz essas coisas? Será que é porque ela concorda com esse modelo de socialconformismo para a massa, neoliberalismo para os Estados Nacionais e imperialismo para o mundo? Deve ser.
Só vou comentar mais uma coisa, o papel da filosofia positivista em todo esse processo e a necessidade de extinguirmos ela da pesquisa e pensamento social, que desenvolveremos em Guarulhos. Eu não gostaria de ver nossos pensadores humanos pensando o mundo de forma positivista e por isso lanço a batalha desde já. Basta de positivistas na Unifesp! O maior ninho de positivistas do Brasil. A ciência positivista é aquela experimental que nega formas metafísicas ou não mensuráveis materialmente e que, naturalmente, tem muitos adeptos em nossa Escola e também adeptos em outras escolas, mesmo algumas escolas de ciências humanas.
O positivismo age ajudando as estratégias imperialistas porque o método positivista (“pragmático”) de ver o mundo exclui uma análise temporal, espacial e evolutiva dos dados, preocupando-se apenas com os dados e o que eles podem sugerir. Podem! É... o modo positivista de ver o mundo também contribui para a construção da ilusão da incerteza na qual querem nos mergulhar. Tudo é estatisticamente possível. Peço que você tenha atenção na hora de procurar a relação do positivismo com tudo que já comentamos até aqui. Ela existe e é muito forte.
Para terminar, esse grandioso texto, eu devo especular qual será o futuro que planejaram para nós. Se o objetivo é manter a rotatividade e produção de capital a partir do capital eu creio que nosso futuro é a servidão ou a escravidão pelo capital. Mas é claro que nós não vamos saber ou perceber quando essa hora chegar. Quiçá já até chegou e eu não percebi. Você acha que os servos do feudalismo sabiam que eles eram servos e eram bobos? Claro que não. Só foram perceber depois que o sistema mudou. Enfim, o futuro que planejaram para nós não me agrada e me parece muito injusto. É por isso que eu luto contra ele, escrevendo textos gigantes e enchendo o saco de vocês, calouros e não calouros, para se ligarem nesse contexto de servidão coletiva e inconsciente. Vamos pensar, vamos discutir, vamos construir uma alternativa social para esse futuro. Uma alternativa em que o Estado seja o responsável pelo bem-estar social e o “clima” seja de coletividade e não de competição.
Refletir sobre esses vários aspectos da vida social, mesmo quando somos engenheiros, médicos ou biomédicos, é a única forma de evitarmos o que está por vir. Lembre-se de que se você não pensar e desenhar seu futuro e o futuro social de nosso povo alguém fará isso por nós e com os interesses dele e não o nosso.
Finalizando, queria dizer que sei que a luta pela sobrevivência diária nos tira grande parte do tempo para pensar e planejar o futuro da sociedade. E isso também é uma estratégia dos dominantes, perceba porque. Entretanto insisto para que você não renuncie a pensar teu futuro e o futuro da sociedade. Nos desfragmentando seremos muitos e seremos fortes.

Resumindo e discutindo as idéias de Luiz Carlos de Freitas sobre o contexto.
Cairo – Biomedicina 39

Abrolhos

Eram os tempos em que a imprensa buscava mostrar a verdade, o real, sendo por isso obrigada a colocar receitas de bolo, ou poemas nas colunas de jornal. Mas, o que se vê hoje em dia é uma crise generalizada na mídia. Em uma de suas edições, a revista “Carta Capital” já havia comentado tal problema. Mas, qual tipo de crise estou falando? Certamente não é a financeira, pois os grandes conglomerados da mídia brasileira possuem muito financiamento das empresas, através de publicidade. Chamo essa crise de crise ideológica, ou seja, quando se lê uma “Veja” ou um “Estadão” observa-se o vazio intelectual das matérias ou se não, as posturas ocas anti-governo ou pró-oligarquia brasileira. Parece que não há discussão. Todos os veículos de massa parecem ter sempre a mesma opinião, com uma ou outra diferença superficial mas acabam dando costas à discussão, à informação real, ao aprofundamento das questões.
Porque isto? Será porque as empresas exercem uma influência direta na propalação da informação? Acredito em algo diferente. Se observarmos os jornalistas que escrevem nos principais jornais e nas principais revistas, podemos observar que a maioria deles era de esquerda na universidade e defendiam a visão da sociedade igualitária. Mas o que ocorreu então? A revista Caros Amigos (edição 116), através de Emir Sader comenta humoristicamente um guia para os ex-esquerdistas, mas o que eles passaram a defender então? Á quem estão a serviço? Não acredito na idéia de que os jornalistas se venderam ou é o editor-chefe que quer só vender mais e mais exemplares ou ter mais Ibope (O Jornal Nacional nem precisaria disso, já virou parte da mesa brasileira e se bobear até mais importante que o feijão) . O problema é que muitos deles vivem uma realidade totalmente diferente ao qual eles se propõem a escrever. Podem escrever sobre ciência, mas não são cientistas e então são induzidos ao erro. Denigrem a imagem e a ideologia de qualquer movimento social de esquerda ou contrário ao governo (coloquei aqui uma aparente redundância), pois não vivem a realidade dos mesmos. Qual jornalista dos grandes meios de comunicação vive entre os sem-teto, ou entre os sem-terra? Qual deles tinha um irmão que virou “mula” do tráfico e se tornou traficante? Qual deles vivia com um salário mínimo por mês ou com falta de recursos para se manter na Universidade? É necessário se viver a realidade para poder opinar sobre a mesma de uma maneira verossímil, assim como fez John Reed, em Os Dez Dias que Abalaram o Mundo”, que viveu de perto a Revolução Mexicana e a Revolução Bolchevique, retratando glórias e suas mazelas das realidades vividas em cada um dos países. Há ínfimas exceções.
Aliado a isso, podemos também observar a grande influência do que vivemos hoje em dia, que é a tendência do pensamento único, padronizado, ou seja, aquele pensamento oriundo da Nova Ordem Mundial, a partir da queda do Muro de Berlim, em 1991, em que se valoriza o individualismo, a máxima eficácia e o sucesso na carreira como fórmulas a serem seguidas para se alcançar o sucesso profissional. As grandes corporações mostraram-se mais transparentemente como uma força sobre a sociedade, determinando padrões de consumo, de ética e de lógica. Mas não diretamente. Isso vem sido feito e apoiado através da venda do produto e a propagação de idéias e valores que deveriam ser tidos para uma pessoa que vive no melhor da sociedade atual. Somado a isso, há a repulsão de idéias de que o Estado possui deveres e que estes devem ser cumpridos, ou que o Estado é naturalmente incapaz de cuidar do social, como se fosse uma instituição falida (veja que temos o Estado desde a Antiguidade!) ou ainda que as utopias de pensamento de uma sociedade mais justa e mais equilibrada financeiramente são um fiasco, levando à conclusão que miséria e injustiça social são processos inevitáveis.
É interessante controlar a opinião das pessoas de uma maneira sutil pois, gota por gota, somos convencidos de uma visão de mundo em que mercado é aquela mão invisível que atua subindo ou baixando as bolsas de todo o mundo, com uma reinvenção do laissez faire, laissez passare (deixe ser, deixe estar) liberal, mas com os aprendizados de 1929 e o Keynesianismo e que se traduz em bilhões de pessoas trabalhando por centenas. Por outro lado, a informação de massa bombardeia-nos a todo momento com simulacros de sociedade, através da montagem de necessidades que não temos (estimulando-se o consumo, e os que não podem consumir são renegados à marginalidade da felicidade e da sociedade “top”) e valores que não possuímos naturalmente, como um individualismo exagerado, resultando disso uma alienação. Alienação aqui é colocada como tanto o fato das pessoas não saberem o que realmente ocorre com o mundo que a cerca assim como a alienação no sentido da perda de poder de mudança de sociedade que o cidadão tem (neste sentido, parafraseando o livro “Depois do Capitalismo”, de Seymour Melman, que discute a democracia no ambiente de trabalho como uma forma de desalienação).
O próprio Milton Santos, um notável sociólogo brasileiro, alertou-nos através do que se chama de “globaritarismo”, devido à ideologia de consenso, do pensamento coletivo comum, firmemente ligado à globalização, eliminando qualquer forma de debate.
Extendendo isto ao Brasil, o que temos são que os grandes conglomerados da mídia controlam toda a informação no país! Não há grupos fortes independentes, que afirmam uma postura crítica sem no entanto cair no “sou do contra”.
A mídia, a imprensa infelizmente possui essa realidade, esta condição. A minha humilde opinião não foi feita ao acaso. Percebi que, em um momento, as coisas não eram tal como aquilo que aparecia nos jornais, principalmente no que se diz à Universidade. Comecei a ver que os jornalistas tem uma visão deturpada do que é ser estudante de uma Universidade hoje em dia, já que quem reinvidica seus direitos é tido como fascista ou vagabundo ou perseguidor.
É necessário abrir os olhos!

Erik – Biomedicina 38


As Reformas do Estado
B r a S i L e i R o

Estamos vivendo a época da Reforma do Estado e nesse contexto, a Universitária. São as famosas “reformas que o Brasil precisa” que vários candidatos professaram fazer como se fossem coisas boas. São todas de caráter elitista e neoliberal, sendo que se implantadas no Brasil provocarão a maximização da desigualdade social a níveis ainda maiores do que os atuais, que já são inaceitáveis. Parte da Reforma Universitária, por exemplo, já foi aprovada e parte do que se queria com ela, a transferência do poder e dever da educação do Estado para as empresas de educação, já foi conseguido. Quando engessaram os investimentos do Estado em educação durante os governos da década de 90 e se facilitou de forma inacreditável a criação de universidades, faculdades, institutos de ensino e até centros universitários no quintal de algumas casas, o que se estava fazendo era essa Reforma Universitária que prevê, como já dito, a mercantilização do Ensino Público transformando-o em mais um ramo da atividade comercial.
As atuais Reformas do Estado, e também a Universitária, sempre vêm acompanhadas de alardes falaciosos de que elas trarão melhorias a vida do cidadão e são necessárias para a modernização do país. Na verdade todas essas reformas fazem parte de uma reestruturação do Estado que é ditada do norte, pelos Organismos “Multilaterais”, para o sul, visando diminuir ao máximo o poder do governo em detrimento ao poder das empresas e da “livre iniciativa”. Um Estado sem o poder de regulação do mercado e o direito de educar seus cidadãos facilita o avanço das multinacionais sobre os mercados em desenvolvimento para que assim possam manter seus níveis de incremento de lucro, o que fará com que as ações se valorizem, alimentando o surreal mercado acionário.
Ainda tentando contextualizar as Reformas, em especial a Reforma Universitária, comentarei alguns mecanismos de privatização que fazem parte dessa conjuntura que nos cerca e dita todas essas reformas. As famosas Parcerias Público-Privadas (PPPs) são parte da estratégia neoliberal da tomada do poder do governo e estão de forma muito clara presentes nesse projeto de Reforma Universitária do governo. A política das PPPs é o eixo central da transferência dos deveres, e do lucro, do Estado para a iniciativa privada. Algumas conseqüências desse processo já foram comentadas e outras ainda o serão ao longo do texto. Não devo ficar comentando o papel do Estado em defender os mais pobres e regular o mercado porque parece até óbvio que seu enfraquecimento tornará os mais necessitados ainda mais servos do capital. A fim de ilustrar o que significa uma PPP, que é política assumidamente neoliberal, devemos notar que seus inventores, os ingleses da ex-ministra Thatcher, vivem num dos países da Europa Ocidental em que a taxa de desigualdade mais aumentou. Se fizermos uma análise de IDH e riquezas dos países “desenvolvidos” do norte, veremos que onde se implantou políticas neoliberais como as PPPs agora se colhe relativamente os menores índices de desenvolvimento humano e, ao contrário do que professam os neoliberais, esses países não se tornaram mais ricos do que outros de tradição mais social-democrata como França, Alemanha e Suécia, por exemplo. Vejamos então os resultados: nos países de neoliberalismo mais voraz o que se vê é aumento da desigualdade e taxas instáveis de crescimento financeiro. Isso prova que a política neoliberal, privatista, minimizadora do Estado é mais capciosa do que verdadeira. Trata-se de um conceito enganador de que sem regulamentação e com mais liberdade para os “negócios” o país fica mais rico. Na verdade a desregulamentação só promove a autofagia do mercado o empobrecimento da população e do país. Mas enfim, é essa política que alguns países ricos tentam impor aos mais pobres como o Brasil e é contra essa política que nós, estudantes e esclarecidos que não concordam com ela, lutamos.
E qual a importância da Educação em todo esse processo que os órgãos neoliberais querem programar no resto do mundo? Será que há alguma ligação entre os interesses neoliberais e as crises econômicas mundiais da década de 90? Essas crises fizeram com que os países subdesenvolvidos corressem ao FMI (entre eles o Brasil) para pedir empréstimos, o que deu a oportunidade ao FMI de sujeitar seus empréstimos ao “enxugamento do Estado” que nada mais é do que a implementação da política neoliberal. No “enxugamento do Estado” estão inseridos os cortes de gastos sociais e as reformas que os governos brasileiros tentam realizar e nesse aspecto o governo Lula é muito bom, já que ele realiza todas as reformas neoliberais sem que quase ninguém o questione e ainda por cima, leva o apoio de grupos tradicionais de esquerda, como grande parte da UNE e CUT. Deve ser por isso que Bush tanto admira o Lula. Em síntese, não há coincidência em geopolítica e essas medidas estão inseridas numa estratégia etapista de desmantelamento do Estado-Providência, que é aquele que provê seus cidadãos de saúde, educação, emprego, lazer e outros direitos sociais.
O que perguntei, no início do parágrafo anterior, tentarei complementar agora. A educação é o principal foco de resistência à política de neoliberalização do Brasil, já que é por meio dela, e talvez só por meio dela, que os cidadãos brasileiros saberão em qual processo ela está inserida e qual será o fim que ela nos levará. Controlando a educação, poderão “selecionar” o que é mais importante na formação acadêmica de um estudante: o senso crítico e a formação profissional ou o senso competitivo e a formação técnica, sendo que esses últimos são parte da receita neoliberal de alienação dos estudantes. Mas não devo ficar escrevendo sobre tudo ou o texto ficará ainda mais longo. Então espero tê-los situado no contexto das Reformas, em especial a Universitária e espero ter levantado uma idéia de para que elas vêm. Resumindo: ela vem para transferir a educação do Estado (que representa o povo, ou em tese deveria representar) para a iniciativa privada, transformando-a em mais um ramo de mercado e obtenção de lucros.
Falando mais especificamente da Reforma Universitária atual, notamos que o governo vê nela inúmeros benefícios. Na verdade ela pode trazer um só benefício que na verdade nem necessitaria de um projeto abrangente para ocorrer: a deselitização, que engloba a expansão e a democratização do acesso. Mas se bastaria um projeto de lei específico para esse fim, o da deselitização, por que o governo quer fazer um muito maior que abrange transferência de verba pública para o meio privado, diminuição da autonomia universitária, parcerias público-privadas e outras amarguras menores? Só pode ser porque mesclando avanços com retrocessos fica mais fácil de empurrar os retrocessos no povo, sendo que os avanços podem ser suspensos posteriormente, como muito se faz hoje. Lembrem-se que nosso congresso é um balcão de negócios políticos e econômicos e é ele quem emenda e modifica os projetos de lei. No entanto devemos voltar à reforma e esquecer essas mazelas políticas.
O governo chega a ressaltar cinco motivos que justificariam a Reforma. Para o texto não ficar grande vou comentar o primeiro: “Reformar para fortalecer a Universidade Pública”. Em seguida vem um texto que critica o mercantilismo no ensino superior ocorrido na década de 90. Observem que dentro dessa reforma, que na verdade não é de um governo só, e sim de vários, está inserida políticas de isenção fiscal para instituições privadas e também a política do ProUni. É claro que o ProUni analisado em caráter de programa emergencial é, quiçá, justificável. Mas se analisado tecnicamente, trata-se de um programa para transferir o dever do Estado, de dar educação, a setores privados. Isto também é privatização. A do direito do povo.
O mesmo governo que se diz contra a privatização promove uma reforma no contexto neoliberal; no contexto das Fundações “de Apoio” que vieram para preencher o espaço deixado pela falta de financiamento à educação pública aconselhada pelo FMI ao Fernando Henrique e seguida até hoje; no contexto das Organizações Sociais que administram muitas vezes o que deveria ser administrado pelo Estado; no contexto em que indústrias querem ajudar a Unifesp a construir prédios, sem nenhum interesse financeiro, é claro; no contexto em que coordenadores de cursos ou campus são assessorados por gente de indústria farmacêutica. E as Reformas, incluindo a Universitária, vêm para legalizar tudo isso.
Nosso papel como estudantes é questionar o governo, é avisar a população, é lutar pela manutenção e ampliação dos direitos dos cidadãos e deveres do Estado. Peço que entendam que quando falo governo não trato de apenas um ou dois partidos, mas sim da trupe inteira formada por governo e “oposição”... mas essa é outra longa história. Como eu dizia, somos praticamente o último, porém poderoso, foco de resistência e se ajoelharmos, como fizeram alguns setores da UNE, a sociedade, mesmo a de direito, sucumbirá à ditadura aberta do capital.
Discuta esses assuntos com teus amigos e colegas e busque se informar em outras fontes independentes para que assim você construa suas idéias e conclusões. Procurem na internet. Lá também tem bons textos. Procurem no DCE, no site do DCE, ou nos grupos de formação política do DCE. Converse conosco, nos visite, enfim. Acho que até já escrevi demais e mesmo assim falei muito pouco do que eu queria falar a vocês. Perdoem-me pelo tamanho do texto e pensem sobre tudo isso que conversamos. Grande abraço e mais uma vez, parabéns a cada um de vocês por mais essa vitória nas suas vidas: a do ingresso na universidade pública brasileira.

Cairo – Biomedicina 39


A UNE e a partidarização do Movimento Estudantil

Todo mundo já deve ter ouvido sobre o papel dos estudantes durante a ditadura militar, a campanha pelas Diretas Já e deve se perguntar por que hoje, que teoricamente seria mais fácil fazer manifestações, não se ouve falar muito de movimento estudantil.
Não tenho pretensão de responder essa pergunta, que apresenta inúmeros fatores como resposta (lógica individualista da sociedade, comodismo, descrença, falta de um inimigo comum que aglutine todos, etc.), mas quero abordar um desses fatores nesse texto, que é a conjuntura atual da nossa UNE (União Nacional dos Estudantes).
Depois do término da ditadura, não havia mais um fator unificador do movimento estudantil e esse mesmo passou a se fragmentar em diversas instâncias. Assim, além dos Centros Acadêmicos que já existiam, ocorreu a proliferação dos DCEs e das Executivas de Curso (que congrega todos os estudantes de um determinado curso). Nesse mesmo período, alguns partidos perceberam o enorme peso político da UNE e passaram a aparelhar um determinado grupo de estudantes para ter o domínio da entidade.
Dando um enorme salto para os dias atuais, ainda hoje a UNE é disputada por esses grupos de estudantes com partidos políticos por trás, sendo que hoje a complexidade dessa disputa ainda é maior. Assim, hoje temos como grupo majoritário da UNE a União da Juventude Socialista (financiada pelo PC do B), e como oposição diversos grupos do PT (articulação, kizomba, etc.) além do surgimento de grupos financiados por partidos de direita (PSDB e PFL); já existem até determinados grupos políticos que não acreditam mais na legitimidade da UNE, como é o caso do CONLUTE (articulado com o PSTU).
Devido a essa realidade acima exposta, a UNE está muito mais para defender os interesses do PC do B do que dos estudantes e isso vem ficando claro em algumas questões polêmicas, como a Reforma Universitária (que foi apoiada pela UNE, apesar da posição contrária da maioria dos estudante). A consequência disso é que os estudantes passaram a desistir da disputa da UNE, simplesmente a consideraram falida e abriram mão de tudo que a entidade pode representar, tornando até mesmo os fóruns de participação facilitada em espaços esvaziados, caso do CONEB (Conselho de Entidades de Base, formado por CAs e DAs) e do CONEG (Conselho de Entidades Geras, formado por DCEs e Executivas).
O intuito desse texto é apenas informar sobre o que está acontecendo, omitindo muitos fatos por falta de espaço, mas possibilitando que algum estudante se interesse e organize em seu CA ou no DCE uma forma de ocupar os espaços da UNE com mais qualidade, para evitar que uma minoria seja legitimada por uma maioria que mal sabe o que está acontecendo e simplesmente considera a UNE inexistente. A UNE não só ainda existe, como possui uma fácil via de acesso com o Governo Federal e Movimentos Sociais e que por esses motivos precisa ser DISPUTADA.

Avelino – Medicina 71

A privatização da Universidade Pública

Esse não é o único texto nesse jornal que fala sobre a privatização da Universidade Pública. Muitos outros textos, com outros temas, falam muito sobre a privatização das nossas universidades. E não é por acaso. Desde a década de 90 como vocês sabem estamos sendo desmontados. Não há como negar.
Grosseiramente poderíamos classificar a privatização em três categorias: privatização do acesso á universidade, a privatização da finalidade da universidade e a privatização mista (que é um mix das duas ou as duas completamente).
Sob a ótica dos privatistas, cada uma tem seus benefícios. E sob nossa ótica cada uma traz inúmeros e graves malefícios à população brasileira. A privatização do acesso, por meio das universidades privadas e mais recentemente pelo ProUni, serve para transformar o acesso á educação, geralmente de baixa qualidade, em mais um ramo de mercado. Os donos e gestores desenham uma estrutura para arrancar dinheiro dos estudantes, escravizar os professores e enganar a sociedade. Nessas “escolas” não há material adequado para aulas práticas, não há o ensino associado à pesquisa e extensão e muitos outros problemas que não vou citar aqui. No Brasil é muito freqüente as pessoas não conhecerem seus direitos e os estudantes não fogem a isso, não conhecendo qual “educação” realmente deveria lhe ser oferecida.
As universidades de acesso privatizado também têm a finalidade privatizada, quando conseguem ter alguma finalidade que não enganar as pessoas e tirar-lhes o dinheiro. Essa finalidade que falo significa o que a universidade faz para a sociedade tanto na graduação quanto no fornecimento de cidadãos modificadores e construtores da sociedade. Se uma universidade não modifica em nada a sociedade durante a graduação dos seus estudantes e não consegue formar um graduado com capacidade para transformar e construir a sociedade de acordo com os interesses da sociedade e do indivíduo (não podemos negar que existe esse interesse) ela não tem finalidade nenhuma a não ser a de surrupiar as pessoas.
A privatização da finalidade é o que vemos atualmente dentro de muitas universidades públicas. Essas podem ser subdivididas em dois tipos: a que serve para formar mão-de-obra para fazer lucrar um dono de empresa e a que serve para fazer pesquisa para as indústrias. O segundo subtipo parece menos grave, mas não é. Caracteriza, além de privatização, transferência de dinheiro publico para a iniciativa privada. Ao terminar essa frase eu até imagino os “burgueses reacionários” a desqualificando... mas não há como negar fatos. É só parar pra analisar e constataremos que não cometi nenhum exagero. As universidades de acesso “público” e finalidade privada têm a estrutura de privatização mais complexa, porque precisam burlar toda a fiscalização do ministério público e dos órgãos fiscalizadores, já que são de direito público, financiadas pelo povo.
É nesse contexto, e no da falta de financiamento por parte do governo, que surgiram entes como as fundações de apoio (ditas de apoio), as OSS (que são organizações não públicas e não submetidas às obrigações dos entes públicos mas que podem administrar bens públicos com lógica privada (são empresas “sem fim lucrativo”, mas com lógica privada administrando bens públicos, ou seja, privatização)) e as incubadoras pra falar só de algumas. A Unifesp tem quase tudo, mas aqui é tudo bonito e maravilhoso.
As universidades privadas mistas estão em expansão. Existem , por exemplo, cursos de especialização que são ministrados dentro das dependências da nossa gloriosa Unifesp e são particulares. Nem vou falar o que diz a constituição sobre esses casos para não criar polêmica demais.
Os defensores dessa política dizem: “Ah! Qual o problema de ministrar cursos pagos dentro da Unifesp se estamos aproveitando a estrutura ociosa? A Unifesp também precisa de dinheiro!”. Eu ouvi isso de um Pró-Reitor numa aula de Temas de Pós-Graduação do meu curso. É claro que eu respeito a opinião de todos, mas se fossemos discutir não haveria como o professor argumentar. Como podemos cometer o despautério de dizer que há estrutura ociosa numa universidade pública como a Unifesp num país como o Brasil, onde muitos querem e poucos podem? Por que ao invés de dar cursos pagos, não abrimos novas vagas públicas de graduação? Qual a finalidade da Unifesp? Ganhar dinheiro e servir de meio para ganhos extras para professores ou fornecer conhecimento e ciência à sociedade e transformá-la?
Existe uma forte inversão de valores e só quem pode mudar isso somos nós, estudantes, porque ainda temos o contato com a realidade, nós ainda (e eu pretendo nunca fazer isso) não nos isolamos no castelo de nós mesmos fechando os olhos para a pobreza que nos cerca. Não há como não ver! Na saída desse mesmo anfiteatro que eu tive a aula que esse professor disse aquela frase, há sempre grandes filas de pessoas esperando atendimento de um médico oftalmologista. Pessoas financeiramente sensíveis e que têm que se submeter ao levantar de madrugada pra conseguir um direito que deveria lhe ser fornecido em casa. É muito incompreensível pra mim. É dadaísta, no mínimo. É triste.
Vamos ver se conseguimos mudar esse jogo. Eu sozinho posso fazer muito pouco, só buscar mobilizar vocês para que juntos e horizontais, possamos fazer algo maior: a transformação.

Cairo – Biomedicina 39

Reforma Universitária

Vocês transpassaram um obstáculo na vida e agora estão em uma Universidade, e nesse momento, nada melhor de falar da Reforma Universitária que vem sendo implementada desde 2004 (ou será que antes) e está em processo de conclusão.
Antes de falar do que está acontecendo hoje, vamos a um pequeno resumo do que já aconteceu. Por muito tempo, as regras da educação superior não eram modificadas e por isso, havia um consenso de estudantes, professores, funcionários e governo da necessidade de uma reforma.
Assim, em 2004 surgiu a primeira versão do anteprojeto da Lei Orgânica que alteraria a Educação Superior, só que o teor desse documento foi bastante criticado, já que muitos setores o consideravam neoliberal e de lógica mercadológica. Nesse período, de intensa pressão social, com inúmeras manifestações dos diversos setores da sociedade, inclusive estudantil, apesar da UNE ter se colocado favoravelmente, mas a UNE é assunto para outro texto deste jornal.
Nesse contexto, o governo utilizou duas estratégias para aprovar esse projeto: a fragmentação e a “ditadura das medidas provisórias". Dessa forma, os assuntos de maior polêmica do projeto foram retirados da Lei Orgânica e passaram como mediadas provisórias, podendo citar as leis de Inovação Tecnológica e Parcerias Públicas – Privadas, que transformam a Universidade em um simples prestador de serviço do capital privado, colocando uma lógica de mercado forte na instituição, afastando a Universidade ainda mais da sociedade. Outra “parte” que passou por MP foi o projeto de inserção universitária, ou seja, o PROUNI, que é um projeto de inserção que não pensa em permanência, centrado nas instituições privadas de Ensino Superior, que serviu para mostrar a influência dos grandes empresários da educação nesse processo.
Depois desse rápido e incompleto resumo, vamos a situação atual. Você deve pensar que já que tudo que era ruim passou por medida provisória, que agora a lei orgânica teria poucos problemas, o que infelizmente não é verdade. Esse anteprojeto, que já está em sua quarta versão, ainda não tocou em três assuntos cruciais que precisam ser modernizados nas universidades: a lei de mensalidades, a assistência estudantil e políticas de permanência, além da democracia interna das IES (instituições de Ensino Superior). Nesse momento, percebemos uma incoerência desse processo, já que a política de acesso está centrada nas instituições privadas, no entanto, não se toca na Lei das mensalidades e a única assistência estudantil prevista é uma bolsa trabalho, fazendo desse estudante mão de obra barata e não permitindo que ele aproveite a Universidade como um todo (ensino, pesquisa e extensão), mostrando que nada que desagrade o Capital da Educação terá voz nesse projeto. Por fim, a democracia interna não avança nada, já que poucas privadas apresentam participação estudantil nos fóruns de decisão e as públicas estão alicerçadas em uma porcentagem irrisória de estudantes e funcionários, sendo uma falsa democracia.
Para terminar, esse texto foi só um apanhado geral de um assunto enorme que influenciará vocês diretamente, portanto, caso queira saber mais, procure o DCE ou seu Centro Acadêmico.

Avelino – Medicina 71

Uma Carta à Juventude

Congratulações, calourada!
Passado o aperto, sejam bem vindos à universidade. Logo, passarão a estabelecer seus conceitos próprios para toda uma série de termos e siglas que cansarão de ouvir por esses dias. Até mesmo o próprio conceito de “universidade”...
Aqui, tentarei falar um pouco sobre algo que provoca paixões (como no meu caso): o movimento estudantil.
O Movimento Estudantil nada mais é que um movimento social, ou seja, uma ação coletiva de caráter contestador, no âmbito das relações sociais, objetivando a transformação ou a preservação da ordem estabelecida na sociedade. Neste caso, militam os estudantes, especialmente os universitários e secundaristas, em prol de pautas específicas e outras mais abrangentes (no tocante de um projeto de sociedade).
Na atual conjuntura, o movimento estudantil relaciona-se com uma coletividade de movimentos sociais, em todos os âmbitos (municipal, estadual e federal), que lutam por mudanças profundas na realidade em que se encontram inseridas, por entenderem que esta ordem político-econômica não é justa. Para tanto, cabe aos militantes do movimento estudantil associar suas pautas especificas (em sua maioria pertinentes às questões educacionais) com as pautas da sociedade (como diria o sociólogo Florestan Fernandes, “ou os estudantes se identificam com o destino do seu povo, com ele sofrendo a mesma luta, ou se dissociam do seu povo, e nesse caso,serão aliados daqueles que exploram o povo”).
Como toda luta é composta por dois lados, as entidades conservadoras (aquelas que pregam a conservação das forças que estão no poder) utilizam-se de instrumentos alienantes para desmobilizar ou deslegitimar os movimentos, vendendo suas imagens como as de verdadeiros criminosos (como se fosse crime brigar pelos seus direitos constitucionalmente garantidos!). É fácil exemplificar esta atuação: Quando vemos na Globo imagens dos estudantes brigando com a policia e o repórter “esquece” de dizer que a manifestação era contra a redução das passagens de ônibus e que iniciou de forma pacífica.
No que se refere à nova realidade de vocês, vivemos um momento de alienação, não só dos universitários, mas da juventude como um todo: o sistema “massifica” a juventude, tratando a todos como uma coisa só que ainda é muito imatura para tomar decisões e opinar acerca dos caminhos do país. Mas, cá entre nós, quem melhor do que os próprios estudantes, usuários do serviço, para debater a estrutura da educação? E dessa relação, decorrem outras tantas, porque cada “estudante”, continua sendo cidadão com direitos a saúde, trabalho, habitação, transporte, coisa e tal, e com o dever de lutar pela garantia de qualidade e acesso a todos esses serviços.
Contribui para a desmobilização o fato de que, entidades outrora representativas e que conduziam a luta estudantil (como a UNE), encontram-se nas mãos de grupos que submetem o debate e a construção coletiva, assumindo decisões muitas vezes discordantes da grande maioria, mas que coadunam com propósitos político-partidários. Tipo assim: uns e outros abandonam bandeiras do movimento estudantil em função da opinião do partido, como vem acontecendo com a tal da reforma universitária, da qual vocês ainda ouvirão falar muito. E isso significa que o problema não está nas entidades ou nos partidos, mas na interpretação que alguns têm desses organismos.
Por outro lado, momentos de crise, ao mesmo tempo que têm sua porção perturbadora, trazem consigo um grande poder de renovação e transformação.
Se a luta continua, é porque há razões e pessoas. E as pessoas, somos todos nós.
Trotsky (desse vocês se lembram, né?), em 1938, escreveu um artigo intitulado “Uma Carta à Juventude” em que conclama a juventude a aproveitar de sua energia e entusiasmo em causas que contemplem a sociedade em sua maioria, inclusive um novo projeto de sociedade (socialista). Destaca, entretanto, que para canalizar essa força de luta, são necessárias a reflexão, o debate e troca das experiências acumuladas.
Cada um saberá a dor e a delícia de ser universitário... E nesse processo, o Diretório Central dos Estudantes coloca-se à disposição para promover as trocas necessárias para a construção de uma nova sociedade.

Saudações revolucionárias,
Fernanda Senna - Fonoaudióloga

Estatuinte Já!!!

O Conselho de Entidades da Unifesp, que é formado pelo Diretório Central dos Estudantes, Associação dos Pós-Graduandos, Sindicado dos Trabalhadores Técnico-administrativos, Associação dos Docentes e Associação dos Médicos Residentes, realizou um Congresso em outubro, como vocês podem ler melhor no texto que fala sobre o Congresso, que foi o I Congresso da Unifesp.
Uma das principais deliberações desse Congresso foi a campanha da Estatuinte Já!!! que visa compor uma comissão estatuinte de composição com paridade entre estudantes, professores e técnico-administrativos para a elaboração de uma nova carta estatutária para a Unifesp. A reforma do Estatuto da Unifesp é indispensável, como era a do DCE (que já realizamos, somos mais sagazes :D ) e por isso exigimos o começo da reforma do Estatuto da Unifesp já esse ano e também exigimos o mínimo de 30% de composição estudantil na comissão estatuinte.
A nossa atual estrutura é monárquica. O Conselho Universitário (CONSU) é formado em sua maioria por professores que não foram eleitos, ou seja, democraticamente é um CONSU ilegítimo. Não que os professores titulares não mereçam toda nossa consideração, admiração e respeito, eles merecem. Mas deve existir outra forma de reconhecer todo o mérito dos professores titulares que não os ceder uma cadeira cativa e vitalícia no CONSU. Para quem não sabe professor titular é aquele que já fez muita cosia pela universidade, que desde muito tempo dá aula e contribui para a construção de uma Unifesp melhor, segundo seus pontos de vista. São realmente profissionais admiráveis. Mas como eu disse, o CONSU não é a melhor recompensa.
Na visão do DCE, como discutido na construção da tese de democracia interna para o I Congresso da Unifesp o Conselho Universitário deveria ser composto paritariamente por professores (25% da composição), técnico-administrativos (25%), estudantes (25%) e controle social (25%). Seria o CONSU democraticamente mais avançado do Brasil. Entretanto temos idéia da dificuldade que seria implantar algo como isso, ainda mais tendo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) garfado grande parte da autonomia universitária com aqueles escandalosos 70% de peso de voto para professores.
O que queremos é a Estatuinte Já!!! e lá poderemos discutir qual seria a composição ideal para o Conselho Universitário da nova Unifesp. Agora vocês já tem noção sobre como funciona burocraticamente a Unifesp, como os estudantes podem lutar pela melhoria da Unifesp e como é a “democracia” atualmente por aqui.
E mais uma vez, parabéns calouros! Vocês deram um importante passo na vida.

Cairo e Raquel – do DCE

“Lojinha do DCE”

Um dia, querida(o) caloura(o), você precisará comprar algumas coisas para usar em sua graduação ou sobre o seu corpo com os nomes e marcas do DCE-Unifesp ou simplesmente da Unifesp. Então você não saberia onde encontrar esses produtos se não fosse esse pequeno texto informativo que fala dessa gloriosa e valente Loja: a lojinha do DCE. Ela fica sobre o Banco do Brasil, pertinho do CUJA, do DCC do Farmacinha entre outros departamentos e projetos de extensão. Infelizmente ainda só temos a lojinha no campus de São Paulo, então vocês que não estudam em São Paulo terão de se mobilizar para ir até lá e dar uma olhada nos produtos. É claro que você não vai em Sampa só para olhar produtos da lojinha, venha com seus colegas e aproveite para passar no DCE e conversar conosco. Mas nos avise antes da sua vinda ou então você corre o risco de não nos encontrar de plantão no DCE. Sabe como é... também temos aula.
Na lojinha do DCE vende avental, caneta, blusa, mochila, caneta, lápis, estojo e algumas coisas variadas relacionadas à vida acadêmica. Apareça! E esse foi um texto informativo e não publicitário.

Entre em contato com o DCE para saber como a nova estrutura regida pelo novo Estatuto permite a criação de diretorias parciais do DCE para cada campus !!!

A União Nacional dos Estudantes

Mais conhecida pela “carteirinha do estudante” do que por suas lutas históricas, as entidades estudantis nacionais representam muito mais do que o mero benefício de descontos para estudantes em atividades sócio-culturais.
Os calouros que lêem este Manuscrito, a partir do momento de sua matrícula na universidade, deixam de ser representados pelos quadros políticos da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), afinal não mais pertencem ao Ensino Médio. Logo, não iremos analisar, neste texto, a atuação da UBES, e sim da entidade que irá representá-los, no âmbito nacional, durante o período de graduação de vocês, a União Nacional dos Estudantes (UNE).
Muito citada nos livros de história do Brasil por sua participação ativa num recente período obscuro da política nacional, a UNE lutou ativamente pela redemocratização e pelo fim da intervenção dos militares na universidade brasileira, além do apoio às campanhas desenvolvimentistas, nacionalistas e éticas, tal como a campanha do “Petróleo é Nosso”, que resultou na criação da Petrobrás, na década de 50, e a manifestação dos “caras-pintadas”, que culminou com o impeachment de Fernando Collor.
Hoje, a função dessa entidade, que completa 70 anos em 2007, é difundir a cultura tupiniquim, proporcionando através da BIENAL DE CULTURA DA UNE o contato entre as manifestações artístico-culturais das cinco regiões brasileira, e principalmente LUTAR PELAS NECESSÁRIAS MELHORIAS DE CONDIÇÕES DO ENSINO SUPERIOR, tal como a tão falada Reforma Universitária.
Esta reforma tem sido objeto de divergências entre os diversos campos políticos que militam no ME denominado GERAL (possuidor de um caráter mais genérico do que o denominado ME de ÁREA, que reivindica as questões especificas de cada curso).
Aliás, não é só a Reforma Universitária que tem sido objeto de divergência. A própria conduta da UNE em relação a esta pauta, considerada a pauta máxima do movimento, é objeto de críticas severas pelos campos mais desenvolvimentistas do ME.
Comandada pela UJS (União da Juventude Socialista), grupo vinculado ao PCdoB (Partido Comunista do Brasil), a direção nacional da UNE assumiu uma postura muito menos propositiva e combativa do que se esperava neste momento histórico.
Devido ao fato de estar vinculada a um partido da base aliada do Governo Federal, a UNE assumiu uma posição extremamente governista, quando defendeu o Pro-Uni, deixando de lado algumas de suas bandeiras históricas, tal como a luta pela Universidade Pública, Laica, Gratuita e de Qualidade para todos.
Este assunto atinge você diretamente, caro leitor!
Contudo, o ano de 2007 pode representar uma mudança nos ventos que conduzem esta jangada, vez que, neste ano, ocorrerá o 55º CONEG (Congresso Nacional das Entidades Gerais) e o 50º CONUNE (Congresso da UNE), eventos que contarão com a presença do DCE-Unifesp.
O CONEG é a assembléia que determina como serão as eleições para a diretoria da UNE, que tem mandato de 2 anos, e o CONUNE é a assembléia que elege a nova diretoria e estabelece as diretrizes para o cumprimento do mandato, ou seja, estabelece as linhas políticas que a UNE representará perante o Governo Federal.
Por isso, caro estudante, chegou a hora de ingressar nesta instância, que também pertence à sua vida acadêmica, com o mesmo vigor que foi utilizado para romper a barreira do vestibular, e brigar por uma universidade com a sua cara.
Para tanto, mantenha-se informado sobre as datas dos congressos e sobre as teses que serão apresentadas nos mesmos. Reivindique junto ao DCE que se promova discussões sobre as teses para que seu voto seja consciente, pois, agora, ESTA UNIVERSIDADE TAMBÉM É SUA!

Ivandick Rodrigues dos Santos Jr.
Acadêmico de Direito da Univ. Mackenzie

Notícias e Derivados

I Congresso da UNIFESP

Aconteceu em outubro, nas dependências da Universidade, o primeiro Congresso das Entidades Representativas da UNIFESP. Esse congresso foi totalmente baseado na discussão e aprofundamento de três temas fundamentais para o crescimento da UNIFESP: expansão, democracia interna e privatização do ensino superior.
Esse congresso é um anseio antigo das entidades (ADUNIFESP, SINTUNIFESP e DCE) e começou a ser mais bem articulado no início de 2006, com a APG agregando – se a construção. Foram meses de planejamento e árduo trabalho, tudo para que o evento conseguisse ter o impacto que as mesmas esperavam.
E o DCE cumpriu muito bem seu papel pré – congresso, construindo uma tese avançada sobre Democracia Interna dentro da UNIFESP (caso queira conhecê-la, passe nas dependências do DCE), mas o principal mérito do DCE foi encarar o desafio de tentar unir dois braços dessa universidade. Assim, tivemos inúmeros delegados do campus de Santos, o que garantiu o aprofundamento da discussão sobre expansão e assistência estudantil.
Por falar em Pré – Congresso, ocorreram duas mesas antes do congresso propriamente dito, uma sobre expansão e a outra sobre OSS (organizações sociais em saúde); sendo que as duas foram riquíssimas e quentes, sempre mostrando os dois lados das questões.
Mas vamos falar do congresso que foi estruturado em três dias. No primeiro dia, tivemos a abertura solene e uma mesa sobre Reforma Universitária, com representantes das três classes (docentes, funcionários e estudantes), que proporcionou uma discussão ampla sobre o contexto histórico e social em que as universidades estão inseridas hoje. No segundo dia, que foi o mais importante do congresso, tivemos três mesas de discussão , uma sobre cada um dos grandes temas do congresso, o que garantiu o aprofundamento de todos os presentes sobre os temas, além de revelar diversas falhas no processo administrativo da UNIFESP e no projeto de expansão. Após as mesas, ocorreram os grupos de trabalho, em que se garantiu que houvesse mistura entre as classes, com todos os grupos contando com a presença de docentes, funcionários, pós – graduandos e graduandos. O objetivo desses grupos era tirar propostas que seriam votadas na plenária do dia seguinte. O último dia foi o momento deliberativo, com cada classe contando com 60 delegados, totalizando 180. Como nem todos puderam estar presentes, mais uma vez o DCE se destacou pela mobilização, já que os estudantes eram a classe mais numerosa na plenária.
Com o fim do congresso, começamos a tocar seus encaminhamentos e lutar por seus anseios, assim, as classes se comprometeram a lutar por uma reforma ampla dos nossos órgãos colegiados (ESTATUINTE JÀ), para garantir que a expansão seja melhor planejada e executada e posicionaram se contrária às OSS e ficou o compromisso de repensar as fundações da apoio. Mas com certeza, o grande ganho do congresso foi sua visibilidade e seu impacto imediato, visto que depois do mesmo, a reitoria que estava estagnada organizou um outro congresso, exatamente sobre os mesmos temas, mostrando que as entidades mostraram as feridas da instituição, sendo agora obrigação de todos curá – las.

Avelino Z. Caetano – Medicina 71

Fórum “Novos Caminhos da UNIFESP”

Em 8 e 9 de dezembro de 2007 aconteceu o fórum “Novos Caminhos da UNIFESP”, realizado pela Pró-Reitoria de Extensão com o objetivo de construir coletivamente algumas propostas que traçariam os caminhos da Universidade. Esse fórum acompanha a proposta do Congresso de Entidades realizado em outubro deste mesmo ano, a de discutir sobre o presente e o consequente futuro da UNIFESP.
Foram tratados os temas “Fundação de Apoio”, “Expansão da UNIFESP” e “Gestão Universitária” em mesas compostas por docentes e administradores. Foi um fórum de professores para professores, pois além de ser realizado durante o período de férias da maior parte dos graduandos, o DCE e a APG (Associação de Pós-Graduandos) foram convidados (durante o fórum) para participar apenas como debatedores e não como expositores, tendo, portanto, menor possibilidade de expressar seus posicionamentos.
No primeiro tema, “Fundações de Apoio” as fundações foram tratadas pelos palestrantes como uma boa solução para os problemas da Universidade, como financiamento, burocratização, etc... Foi uma mesa bastante parcial, de defesa das fundações para Universidade, houve até comparações entre elas e organizações não governamentais, entre outras tentativas maniqueístas de idealizar as fundações e desqualificar o debate contrário a elas. Mas era o que se esperava de uma mesa composta apenas por administradores de fundações e pelo diretor da CONFIES (Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior).
Já no eixo “Expansão da UNIFESP” foram expostos os nossos projetos de expansão e o da UNESP, pelos diretores dos novos campi e pelo Reitor da UNESP. Também foi convidado para compor essa mesa o Exmo. Ministro da Educação Prof. Dr. Fernando Haddad, que infelizmente não pode comparecer e enviou um representante. Como se esperava pela composição da mesa e pelo teor do fórum, houve poucas críticas negativas à forma precipitada e conturbada com que foi feita a nossa expansão. Esperando pela presença do Ministro, alguns estudantes lá presentes protestaram contra o IV Anteprojeto da Reforma Universitária e projetos já aprovados separadamente exibindo uma faixa (já utilizada pelo DCE em manifestação em Brasília) que trazia as palavras: “Estamos de luto e choramos a ruína da Universidade do Povo”. Outro destaque dessa mesa é que não só na fala do Reitor da UNESP, como na fala do representante do MEC, foi pontuada a necessidade de uma reforma de estatuto na UNIFESP, para que se adeque à nova realidade, de uma Universidade com muitos campi e diversas áreas do saber. Até nossa estrutura departamental foi questionada.
Assim, como se esperava pelo teor das falas na palestra do dia anterior, no debate sobre “Gestão Universitária” a reforma estatuinte ficou bem clara como demanda urgente da Universidade. No entanto, nessa mesa ficou clara a postura da reitoria com relação à participação discente nesse processo. Apenas a ADUNIFESP (Associação dos Docentes da UNIFESP) foi convidada a expor sua “visão” sobre a forma de palestra. Essa foi a discussão mais polêmica do Fórum, pois foi quando falamos na Comissão Estatuinte. A reitoria acredita que essa comissão deve ser criada dentro do Conselho Universitário e não deve ser fretaria, enquanto que o Conselho de Entidades defende a eleição de uma Comissão Estatuinte fretaria e eleita de forma direta. Neste dia o DCE expôs seu posicionamento através de cartazes que diziam: “Estatuinte já, fretaria e eleita de forma direta!”. Mas, pelas respostas que recebemos durante o fórum, acho que essa será uma luta difícil...
Enfim, não são muito claros os produtos deste fórum, mas penso que trouxe informações importantes não para a construção dos “caminhos da Unifesp” mas para nortear nossa luta por uma universidade pública, gratuita, de qualidade e que atenda às necessidades do povo.

Lara – Medicina 74

Reestruturação do DCE-Unifesp

O DCE passou por uma forte reestruturação nesses últimos meses. Com a necessidade de reformar do Estatuto, por conta do novo código civil, fomos obrigados, em apenas dois meses, discutir, votar e registrar um novo Estatuto. Todavia não pense que pela falta de tempo nós deixamos passar a oportunidade de redesenhar todo o DCE e montar uma nova estrutura, totalmente diferente e que julgamos mais adequada para um DCE. Os estudantes sabiam que era arriscado promover discussões muito aprofundadas sobre mudanças tão sérias, mas eles aceitaram o desafio e o final foi feliz: já registramos o Estatuto que foi discutido, rediscutido e votado artigo a artigo.
Quais mudanças foram essas? Antes o DCE funcionava com Assembléia Geral, que é sempre soberana por aqui, e uma diretoria sob forma de conselho: quatro coordenadores do DCE eleitos diretamente mais um representante de cada Centro Acadêmico (CA) e um representante do Departamento de Cultura Científica (DCC). Tínhamos apenas duas coordenadorias fixas: a Coord. Geral e Coord. Finanças. Agora funcionamos com Conselho Representativo e com Diretoria, além da sempre soberana Assembléia Geral (ela é sempre soberana porque nela todos os estudantes tem direito a voz e voto, sendo assim numericamente a mais instância mais representativa). O Conselho Representativo é praticamente a antiga diretoria, com a diferença que nesse Conselho já está prevista a representatividade dos novos campi que ainda não têm DAs. Cada campi sem Diretório Acadêmico (DA) terá direito a ter dois membros no Conselho Representativo, mesmo quando eles já tiverem CAs. Com isso esperamos tornar o DCE mais democrático.
A diretoria agora é composta por Coordenadorias e foram criadas oito novas coordenadorias: Extensão, Formação Política e Movimentos Sociais, Assistência Estudantil, Comunicação, Cultura e Eventos, Ensino e Pesquisa, Integração Estudantil e Representação Discente. Somando as duas coordenadorias antigas, Geral e Finanças, somos agora dez coordenadorias.
Vamos ver para o que serve cada uma? Se você já sabe pode saltar essa parte, mas se não sabe é bom ler.
1- Coordenadoria Geral: coordenar as atividades do DCE, representar os estudantes em quaisquer eventos que isso se faça necessário, presidir as reuniões e as assembléias, referenciar a gestão do DCE de forma coerente com o programa da chapa ou deliberações das reuniões e assembléias, articular com o Movimento Estudantil (ME) externo e com o Conselho de Entidades da Unifesp e a Reitoria, quebrar galhos ou tapar buracos e etc.
2-Coordenadoria de Finanças: supostamente era “só” pra controlar a movimentação financeira do DCE, planejar políticas de gestão de recursos, prestar contas junto ao Conselho, à Assembléia e a Diretoria mas na verdade hoje os Coordenadores de finanças fazem tudo além disso. E etc.
3- Coordenadoria de Comunicação: gritar tudo que o DCE faz e tudo que os estudantes precisam saber para eles. Manter o site, fazer “O Manuscrito”, se relacionar com a mídia popular e etc.
4- Coordenadoria Cultura e Eventos: organizar eventos, principalmente culturais, manter o “Theatro do Hipocampus”, fomentar criação artística e cultural, fazer saraus, intercambiar culturalmente os graduandos da Unifesp com outras entidades e etc.
5- Coordenadoria de Extensão: acompanhar os trabalhos de extensão do DCE e da Unifesp, elaborar novos projetos e apoiar os estudantes na elaboração de novos projetos, promover eventos e discussões sobre o tema e etc.
6- Coordenadoria de Assistência Estudantil: fiscalizar e participar ativamente de projetos relacionados ao auxílio e permanência do estudante na Unifesp, auxiliando na definição de políticas de alimentação, transporte, cultura, moradia e bolsas de permanência e etc. A assistência estudantil é um grande problema na Unifesp, porque quem manda hoje não conhece a realidade dos estudantes.
7- Coordenadoria de Formação Política e Movimentos Sociais: promover cursos, palestras, seminários e debates visando à formação política e social dos estudantes etc. É muito legal participar dessas coisas, não deixe a chance escapar.
8- Coordenadoria de Ensino e Pesquisa: acompanhar, intervir e discutir o desempenho, qualidade e caráter social das atividades realizadas pela Unifesp no ensino e na pesquisa, formular diretrizes educacionais adequadas a realidade social do País etc.
9- Coordenadoria de Integração Estudantil: estimular e auxiliar na criação de Centros, Associações e Diretórios Acadêmicos além de buscar a contínua integração entre os estudantes dos diversos campi por diversos meios, desde encontros a eventos etc.
10- Coordenadoria de Representação discente: uma coisa muito importante dentro da Universidade são os órgãos colegiados e conselhos de deliberação. Por exemplo, o Conselho Universitário (CONSU) que define a macropolítica de uma universidade, o Conselho de Graduação, onde se define praticamente tudo sobre política para a graduação, além de outros como Conselho Técnico-Administrativo. Os estudantes tem pequenas representações em cada um desses órgãos e já que pequena deve ser bem aproveitada. Para ser bem aproveitada é preciso que cada representante do DCE ou dos CAs etc saiba o que está acontecendo na Unifesp para que baseado nisso ele vote consciente de acordo com o interesse do corpo discente. A Coord. Representação Discente serve para isso, discutir os assuntos que estão passando nos órgãos colegiados e fazer com que o corpo discente vote de acordo com o discutido no DCE e com o interesse dos estudantes.
Basicamente é isso.
Quando pensamos em reestruturar o DCE tinhamos dois grandes objetivos. O primeiro era edequar a estrutura aos novos campi para que eles tivessem representatividade dentro do DCE. O segundo era desenhar um DCE que podesse mais facilmente atender as espectativas dos estudantes abrindo sempre a possibilidade para a construção coletiva e participação de todos.
Bom, era isso galera. Não sei se consegui expressar a importância dessa reforma ou os benefícios que ela pode trazer aos esudantes, e portanto o DCE, se os estudantes se convencerem de seu papel dentro do DCE e da sociedade. O nosso DCE vem sendo construído com muito trabalho por todas as gestões desde sua fundação e a cada gestão nós evoluimos mais. A expansão traz consigo um grande leque de oportunidades e uma gama de esperança de melhores ainda maiores e mais rápidas. Essa reforma estatutária vem pra confirmar isso. Não sejam conformados e se mobilizem.

Cairo, Erik, Raquel e Varum – do DCE

Seja sócio do DCE! Procure a Van na secretaria do DCE em São Paulo e peça já a sua carteirinha de sócio. Pague meia no cinema e tenha descontos na capoeira, yoga, dança do ventre, ballet, chocolates sobre o Banco do Brasil etc... é muita vantagem.
 

Artigos indefinidos

“O direito e o dever de mudar o mundo.”

Caro e mais novo colega de Unifesp, a essa altura você já deve ter sido bombardeado com milhares de informações, umas significativas e outras não, porém eu vos trago mais uma e espero, entusiasmadamente, que esta seja significativa pra você! Diz a constituição que a universidade está baseada no famoso tripé: ensino, pesquisa e extensão. O ensino é identificado mais facilmente, afinal é o que você, provavelmente, veio buscar. Entretanto acredito que você não encontrará só isso, a universidade é muito mais que sentar os glúteos na cadeira e aprender em sala de aula, ou pior, fingir que aprende enquanto o professor finge que ensina. A pesquisa, ah! pesquisa... o orgulho da nossa Universidade, é opcional, mas diante de tanta grandeza você se sentirá na obrigação de fazê-la e na verdade isso também é bom. Por último , mas não menos importante, a extensão, esquecida por alguns, marginalizada por outros e amada por tantos anônimos.
Aqui na nossa universidade temos a extensão curricular (há controversas) na qual os estudantes são levados para comunidade e desenvolvem ações de educação em saúde/assistência e temos os PROJETOS E PROGRAMAS como: Cananéia, Lá Fora, Corporalidade e Saúde, Saber Cuidar, Farmacinha, CUJA, Xingu e outros que desenvolvem ações, buscando o crescimento do estudante e da comunidade, trocando e adaptando o conhecimento científico e o popular. Estes projetos estão de portas abertas para todos vocês!!!! E o DCE disposto a novas experiências, caso você queira montar um novo projeto. Falando em DCE (Diretório Central dos Estudantes, só pra lembrar afinal são tantas siglas...) existe a comissão de Extensão que iniciará um grupo de estudos sobre extensão, todos estão convidados!!! (divulgaremos a data).
Você já parou pra pensar que está em uma universidade pública? Que não é gratuita? Que é custeada por todos nós? Claro que sim! Querendo ou não, aquele pai que trabalha dia e noite e sonha ver seu filho “doutor”, mas seu filho que estudou a vida inteira em escolas de péssima qualidade e não tem dinheiro para pagar um cursinho, portanto dificilmente entrará na Famosa “Escola Paulista de Medicina”, sem arcaísmos, UNIFESP, aquele pai também paga!

“da educação que, não podendo jamais ser neutra, tanto pode estar a serviço da decisão, da transformação do mundo, da inserção crítica nele, quanto a serviço da imobilização, da permanência possível das estruturas injustas, da acomodação dos seres humanos á realidade tida como intocável.” (Paulo Freire)

E você vai fazer o que? Se formar e depois ganhar muito dinheiro? Vai ignorar tudo isso? Pode ser o mais cômodo, mas não é o mais justo. Agora, talvez, alguns de vocês, devem estar pensando em arrecadar roupas, brinquedos, alimentos... Não, por favor não! Não é dessa forma que devemos retornar à sociedade o que nos é concedido. Uma das formas é a extensão que ainda hoje é confundida com assistencialismo, mas ela vai muito além. Extensão é trocar experiências, vivencias e fazer da universidade um espaço de crescimento da sociedade e não apenas dos que nela estão inseridos. È integrar ensino pesquisa vivendo tudo isso na prática onde nada é previsível como na academia. È misturar o conhecimento cientifico com o popular de modo que nenhum se sobressaia e sim se completem. È construir junto com a comunidade um lugar melhor para se viver. É se tornar mais humano, estranho dizer que o ser humano se torna mais humano, mas ultimamente temos visto que, se um dia já foram, alguns desaprenderam....

“…a gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte…a gente quer inteiro e não pela metade.” (Comida – Titãs)

Mas será que só devemos sociabilizar o conhecimento porque estamos em uma universidade pública ou devemos porque é uma obrigação moral, porque seremos profissionais e logo temos um compromisso com a sociedade, porque que seremos detentores de conhecimento, e como disse Foucalt, saber é poder, sendo assim a democratização do saber é uma forma de diminuir a desigualdade, promovendo a emancipação, o empoderamento de todos para o que é de todos!
Não é só questão de compromisso social, mas pensar sim que a sociedade deve ter acesso a educação e os conhecimentos que a universidade possa ofecer, para que desta forma tenha autonomia e possa de fato lutar pelos seus direitos a cidadania.
A população tem muito a contribuir para a construção da universidade, além disso o estudante desde da graduação deve conhecer a realidade e os problemas sociais, para que desta forma identifique-se com as causas e venha lutar por uma sociedade mais igualitária.
Bom... Esperamos ter conseguido deixá-lo(a) curioso(a) o bastante para experimentar a extensão. Você certamente não se arrependerá, é crescimento profissonal, mas acima de tudo pessoal, vivências irrecompensáveis, acredite!!!
Parabéns e seja bem-vindo!!!!

Selma – Enf 66
Cassiane – Enf 66
Cairo – Biomedicina 39

Reforma ou Demolição?

“Não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar”
Bertold Brecht

Entre Córdoba e Brasília, desvirtuaram nossos sonhos
A defesa de alterações no ensino superior é cadeira cativa na pauta do movimento estudantil. Reivindicar uma universidade cujo acesso seja democratizado, assim como suas estruturas de poder, com maior investimento público, certamente é uma luta central que não ficou estagnada no passado e nem perde a validade para períodos futuros. Exemplo de reivindicação foi a Reforma Universitária de Córdoba, em 1918, em que os estudantes mobilizados conquistaram importantes medidas progressistas, como a participação de estudantes na gestão das universidades e adoção de concursos públicos como forma de admissão de professores. Com a eleição de Lula em 2002, o debate sobre Reforma Universitária voltou a ser pautado. Entretanto, diferentemente das reivindicações históricas do movimento estudantil, as medidas tomadas pelo governo se apropriaram de bandeiras históricas para implementar políticas que em nada se aproximam desse projeto de educação que defendemos.
Reforma Universitária e Acesso: a opção pelo privado
A democratização do acesso sempre foi ponto central de debate dos movimentos sociais de educação, em especial do sistema público. O ProUni, implementado por medida provisória em 2004, vai na contramão da consolidação da educação pública pois, ainda que coloque o estudante na universidade, o faz pela porta dos fundos: são as vagas ociosas as ocupadas, ou seja, a superprodução das vagas que as empresas de educação venderam, de muito bom grado, ao governo federal. No entanto, esse mesmo montante investido poderia, em 2004 ter dobrado o número de vagas nas federais, com uma política de assistência estudantil que garantisse a permanência do estudante na instituição. E enquanto isso a proposta de cotas nas universidades públicas se apresenta uma realidade cada vez mais distante se depender da negociação no âmbito do Congresso Nacional.
A adoção de uma política compensatória ao invés de repensar a estrutura da universidade pública com vistas a expandi-la e democratizá-la não é só uma medida do governo Lula: a farra dos empresários da educação também é muito bem utilizada por governos declaradamente conservadores, como a última gestão do governo estadual de Paulo Souto (PFL-BA). Lá também se viu que quem mais ganha com esse tipo de política são os donos das empresas da educação, que tem garantida a ocupação de vagas para que seu prejuízo seja nulo, através do Programa "Faz Universitário". Uma medida que cai como uma luva para o novo governo do PT no estado, o de Jacques Wagner.
De decreto em decreto, a educação pública vai para a privada
Se para o ProUni há um frágil argumento de melhorias para os estudantes, menos palatáveis ainda são outras medidas tendo em vista um projeto de educação estratégico para superar as desigualdades do país. É o caso da Lei de Inovação Tecnológica, mais um decreto que, junto com o ProUni, o Decreto de Fundações, as Parcerias Público-Privado, o SINAES e o Projeto de Lei do Ensino Superior compõe o quadro da Reforma Universitária implementada ou em processo de implementação do governo Lula. A Lei de Inovação Tecnológica possibilita que docentes de instituições públicas prestem serviços a empresas, admitindo que ele seja afastado da instituição. Ou seja, o Estado paga pra que um servidor público deixe de fazer um serviço público, recebendo subsídios para entidades privadas, contribuindo ainda mais para a desvalorização e desmonte da universidade. E mais: caso a empresa tenha prejuízo, o Estado cobre. É um empreendimento sem risco, a não ser para a universidade pública, já agonizando com seu escasso quadro de docentes. mitindo que ele seja afastado da instituiçtaç Decreto de Fundaçde educaçrelaçs fundos:
As PPPs - parcerias público-privado ou promiscuidade público e privado, são o termo que o governo federal e muitos governos estaduais utilizam hoje para "tucanar" a privatização da educação. Assim como o governo Alckmin/Lembo no estado de São Paulo implementaram essa lógica na linha 4 do metrô de São Paulo, e que o governo federal já anunciou que fará com as rodovias federais, em que o Estado entra com a infra-estrutura e a empresa explora comercialmente, a Reforma Universitária vem no sentido de preparar o terreno para que o mesmo aconteça com a educação. E podemos visualizar essa diluição da fronteira entre o público e o privado em muitas das universidades públicas no país, por meio das Fundações Privadas.
Essas fundações se utilizam de toda a infra-estrutura da universidade pública para, sem licitações e utilizando indevidamente do nome (a "marca") da instituição, oferecer cursos de pós-graduação milionários, prestar consultorias, e outros serviços. Através do PL 7200/06, apresentado pelo governo para “reformar” o ensino superior no Brasil, propõe-se "regulamentar" essas fundações, ou seja, criar um aparato legal que as permita funcionar no exercício pleno do parasitismo da coisa pública. No mesmo sentido caminha o decreto 5205, assinado pelo presidente Lula e o ex-ministro da Educação Tarso Genro, legalizando a atuação dessas instituições, decreto já avaliado por diversos juristas como inconstitucional.
Se o desmonte da universidade pública e a explosão das privadas é uma realidade, o governo se utiliza do instrumento da Avaliação Institucional como resposta mágica para o problema que esse modelo de educação privatista criou. O SINAES (Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior) busca através do ENADE (Exame Nacional de Desempenho do Estudante, ou Provão revisitado) ranquear as universidades para indicar quais possuem mais estrelinhas no mercado da educação. Assim cria-se uma “elite” de universidades cujo desfrute é sentido pelas empresas de educação que podem com isso fazer propaganda de seus grandes feitos, através de uma prova que é aplicada em todo país, sem respeitar qualquer tipo de especificidade regional ou as diferenças entre as instituições públicas e privadas. E pior: caso uma universidade pública apresente “baixo rendimento”, a proposta do SINAES não é diagnosticar os problemas e propor soluções, mas sim punir a instituição. Sem falar em deturpações mais graves como na FAAP, faculdade privada de São Paulo, que apresenta um cursinho preparatório para o ENADE, maquiando os problemas do ensino e criando mais uma fatia de mercado a ser explorada, e vendendo uma educação sem qualidade mas muito lucrativa.
O papel do movimento estudantil
Nesse contexto de gritantes ataques à educação pública, o movimento estudantil não pode ficar parado. Uma postura independente e coerente com o que ele sempre defendeu não pode ser relativizado num momento tão importante em que estamos às voltas com ameaças tão perigosas a um projeto de educação pública com soberania, emancipadora e estratégica para a construção de um país justo e igualitário. A maioria dos setores que estão na UNE hoje (UJS e PT), preferiram optar pela submissão a essa política do governo, defendendo como tática a disputa do projeto no Congresso Nacional. O movimento não pode se paralisar e achar que é nesses marcos que se faz a disputa, ainda mais numa conjuntura em que o lobby das empresas privadas é forte e consoante com o projeto do governo e que o funcionamento fisiologista da imensa maioria dos deputados expôs a corrupção cotidiana nesses espaços. É um equívoco a atuação do ME se centrar no calendário do Congresso Nacional. Não há possibilidade de esperar de um governo neoliberal uma reforma universitária que o país precisa.
Muitos são os setores que não aceitaram a política neoliberal travestida de democratizadora do governo Lula. O movimento “Vamos Barrar essa Reforma” construiu ao longo de 2 anos debates importantes em diversas universidades, além de ter organizado uma importante plenária em Brasília em 2004, com estudantes de todo o país. No último CONEB, buscando unificar @s que lutam contra essas medidas privatizantes, diversos grupos resolveram construir a Frente de Oposição de Esquerda da UNE (FOE), por entender que essa disputa tem que ser travada de maneira mais ampla possível, passando por dentro ou por fora da entidade. A FOE, assim como a Conlute e muitas Executivas de Curso tem buscado impulsionar uma frente ampla, que agregue todos os setores que se preocupam com a ameaça que a Reforma Universitária em suas diferentes linhas de frente representa. Assim, a Frente de Luta Contra a Reforma Universitária se apresenta como uma alternativa em construção para tod@s @s que apostam na importância de não se calar frente aos descalabros desses decretos e projetos de lei.
Temos muitas tarefas para o próximo período e portanto é necessário escolhermos a tática adequada para barrarmos essas medidas privatistas. A disputa através das táticas utilizadas atualmente por alguns setores da sociedade não são capazes de dar resposta às demandas da educação: a ampliação do sistema público através do maior investimento do Estado, maior democracia das estruturas de poder, garantir a permanência, fazer a discussão sobre a Lei de Mensalidades, o limite claro entre o setor público e o privado, com vistas à diminuição deste em virtude da ampliação do primeiro. Para alcançar esses objetivos a principal tarefa do movimento é impedir a aprovação desse PL e revogar as outras medidas já em curso, o que vai requerer de nós organização e a necessidade de construir com todos os setores possíveis uma unidade em torno de barrar essa reforma.
É preciso estar atento ao fato de que apenas a retirada desse projeto de lei não acumula pra nossa luta histórica em defesa da educação pública. É preciso apontarmos que projeto de educação queremos e analisarmos a nossa conjuntura a partir do que já temos em curso. A retirada aponta para que projeto nós queremos? Existe correlação de forças no Congresso Nacional para que apresentemos uma nova proposta? A resposta a essas questões é negativa porque o governo Lula representa não só nas suas políticas educacionais, mas também econômica, na saúde, na previdência, na relação com os movimentos sociais, uma política neoliberal que se ancora em medidas compensatórias para garantir sua sustentação.
À luz de todos esses elementos, acredito que o central para os movimentos sociais de educação no próximo período seja o de construir a luta cotidiana e resgatar as nossas reivindicações históricas. É preciso partir do que já temos, como o PNE, do que temos condição de construir com a Frente de Luta Contra a Reforma Universitária, e continuarmos elaborando um projeto de educação que caminhe para a universalização através do sistema público. Essa elaboração invariavelmente aponta no sentido contrário à Reforma apresentada pelo governo, sendo assim a tarefa central do movimento confrontar esses projetos e travar uma luta incansável em defesa de uma universidade pública, gratuita e de qualidade para tod@s.

Maíra Tavares Mendes
Diretora de Universidades Públicas da UNE
Campo Romper o Dia!
Frente de Oposição de Esquerda da UNE
Partido Socialismo e Liberdade
Poder Popular / MES
 

Cultura

Para falar um pouco sobre o que é cultura, vamos à definição do que é cultura, do ponto de vista das ciências sociais, que seria o aspecto da vida social que se relaciona com a produção do saber, arte, folclore, mitologia, costumes, entre outros, bem como à sua passagem para as gerações subseqüentes. Em
Filosofia, o termo cultura designa o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou comportamento natural. Já em antropologia, cultura é definida como o totalidade de padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. Nossa! Percebendo o mundo que nos cerca, tudo é cultura. Logo, não só a música erudita pode ser considerado como música, mas o pancadão dos morros cariocas também pode ser considerado um tipo de cultura, desde que seja passado para as futuras gerações, ou seja, apareça gente disposta a levar o pancadão pra frente. Logo, esse papo de que produções eruditas são culturais e produções popularescas são lixo é uma besteira, alguém que quer demonstrar que sabe mais que o senso comum, só para parecer “culto”. Seria o mesmo que desprezar o maracatu, uma coisa tão popular, só porque é o povo que faz. Mas ninguém faz isso.
Acredito então que a discussão do que é ou não cultura está no fato do que ela faz. Se há alienação ou aprendizado, se há ganho ou se há perda, ou nenhum dos dois, é isso o que vai tornar a cultura importante para determinado fim. Na Universidade, espera-se que os alunos possuam a formação de um pensamento crítico para que, estes entendendo como a sociedade funciona, transformá-la. Acredito que este também seja um papel da Universidade e portanto, utilizamos a cultura como meio de inserção dos conceitos de cidadania e sociedade.
O DCE tem tentado se mobilizar em torno disso: Constituímos a Coordenadoria de Cultura e Eventos, uma vez que tentamos promover a cultura “conscientizante” dentro da Universidade através de Eventos Culturais, como o sarau, ou como grupos de expressão artística, como dança e teatro. Com isso,esperamos suscitar a discussão em torno dos problemas da Universidade e da sociedade brasileira e fazer com que ele busque seus direitos. Mas a coordenadoria só é capaz de efetivamente trabalhar se tivermos gente disposta a isso, e por isso que precisamos tanto que a própria construção coletiva pelos estudantes se torne concreta.
Faça sua escolha!

Erik – Biomedicina 38


Em constante construção

O objetivo de todos os órgãos representativos é representar da forma mais atuante e democrática possível. Quando se fala em Representação Estudantil, o objetivo é o mesmo e as dificuldades também.
Para que um órgão representativo seja atuante e atue de forma coerente com o interesse de seus representados é preciso que ele conte com a confiança e principalmente a adesão deles, participando do processo de desenvolvimento, atuação e conquistas do órgão. O bom funcionamento de um C.A. ou do DCE depende muito do envolvimento de seus participantes na construção, manutenção e desenvolvimento de sua estrutura, bem como da capacidade e vontade de cada participante em desempenhar seu papel de forma ativa e construtiva. É como um órgão do corpo de qualquer animal vivo, que como sabemos não depende de uma só célula, ou de um pequeno grupo de células, mas de um conjunto de células que se reúnem a fim de compor os tecidos, que em nosso caso seriam coordenadorias ou comissões, que juntos constroem, mantêm e fazem funcionar de forma perfeita o órgão, um CA ou nosso DCE. Mas o cenário atual é de desmobilização e socialconformismo, como discutido no primeiro texto desse Manuscrito. A história mostra que mudanças em modelos consolidados só se deram, apesar de sempre serem iniciadas por poucos, quando houve a participação de um grande número (proporcionalmente) de pessoas envolvidas direta ou indiretamente com o assunto em questão. No nosso caso, talvez não existam questões dogmáticas e a proporcionalidade ideal de participação não seja tão difícil de ser alcançada, já que não formamos uma multidão de seres. Mesmo assim nós temos que começar essa mudança que irá transformar para muito melhor nosso espaço e nos fará sobreviver aqui na Unifesp e no Brasil, já que a cada dia, perdemos mais um de nossos direitos. Então o que temos a fazer é discutir cultura, besteiras, cinema, matérias e também política e cidadania. Cidadania é política.
E voltando ao DCE, sua eficiência é de grande importância para a manutenção dos direitos conquistados pelos estudantes, para a conquista de novos direitos e para o funcionamento correto da Universidade – que seria o organismo na analogia feita anteriormente – pois ela só tem a ganhar com uma maior discussão das idéias e das medidas tomadas durante o seu processo de desenvolvimento.
Uma universidade sem a efetiva participação dos estudantes no processo de decisão sobre quais rumos tomar é uma entidade condenada ao atraso e invariavelmente presa à inalterabilidade ideológica e de práticas que com o tempo se tornam conservadoras e empecilhos ao seu progresso e desenvolvimento para melhor.
Aqui na Unifesp, no entanto, temos uma participação pífia no Conselho Universitário (que é quem supostamente manda) e muitas vezes a posição dos estudantes é ignorada. E isso também é culpa dos estudantes, que não procuram fazer nada para mudar isso. E esse descaso pode ser conta de que a maioria dos cursos é integral e, talvez, por conta disso o tempo que o estudante tem para se informar do que está acontecendo é muito pequeno e isso por vezes faz com que ele deixe de se envolver. Mas isso está mudando, estão aí os novos campi, que poderão mudar tudo isso.
São inúmeros fatores que contribuem para a desmobilização atual pela qual passa o Movimento Estudantil: UNE vendida ao governo, representatividade zero, partidarização do Movimento, fragmentação subseqüente e por aí vai. Esses fatores agem perversamente desmotivando os estudantes. Ao mesmo tempo, esses processos e fatores perversos fazem com que a participação de um grande número de pessoas na gestão dos órgãos representativos dos estudantes se torne indispensável para a representação de fato e a realização de grandes feitos.
E o trabalho? Dizem que dá muito trabalho participar de CA e DCE. Eu vos digo que dá, mas nem é tanto assim. Se existir gente disposta tudo fica fácil.
Num CA, para quem vai criar, ou aqui no DCE, como já tentamos fazer, para dividir o trabalho, a responsabilidade e o poder foram criadas tantas coordenadorias quantas forem necessárias para que possamos corresponder de forma satisfatória aos interesses dos estudantes e lutar por seus direitos. Essas coordenadorias foram discutidas na reforma do estatuto, que discutimos e aprovamos em novembro e dezembro, e precisam de gente disposta a trabalhar, discutir, pensar e brigar por seus direitos que muitas vezes nem são conhecidos por alguns estudantes.
A união dos estudantes é desestimulada por muitos porque ela causa nervosismo a quem não quer ver o sistema sendo discutido, os problemas reais sendo discutidos. Não interessa aos gestores que comandam de forma errada porque eles sabem da força e garra da juventude e do seu descompromisso com as coisas erradas e com as mentiras que compram opiniões e manipulam informações que buscam justificar ou esconder os erros.
Enfim, as possibilidades de ação e atitude de vocês são muitas e cada uma leva a um caminho levemente, ou fortemente em alguns casos, diferente. Cabe a você, estudante da Unifesp, decidir qual caminho tomar, usando como base para isso o futuro que queremos para nossa Universidade. O que pedimos é que depois de um tempo você leia esse texto novamente e com outros olhos se for preciso, tenha consciência de sua responsabilidade como estudante da Universidade Federal de São Paulo, reflita bem sobre a questão de representatividade e mobilização estudantil. Esperamos que você tome uma atitude de seguir ou voltar, cair ou levantar, desistir ou lutar. Seja qual for sua decisão, é importante que você entenda porque a tomou e as conseqüências dela analisando sua atual posição no mundo, a que você pretende alcançar e também o que você pretende deixar aos estudantes que virão.

Cairo – Biomedicina 39

Mas, pra quê???

Quando me pediram para escrever este texto me propuseram a seguinte pergunta: “Por quê você se decidiu, ainda caloura, por entrar no movimento estudantil e assumir a coordenação geral do seu Centro Acadêmico?” A princípio achei a pergunta um pouco óbvia: “mas não temos todos os mesmos motivos?” Só então percebi que nem eu mesma identificava de imediato os meus motivos, o que diria sobre os dos outros.
Assim, percebi que embora haja semelhanças em ideais, em intenções e em vontade de trabalhar, nós no DCE e nos Centros Acadêmicos não constituímos um grupo homogêneo, que possa ser identificado por alguma característica comum - exceto o vínculo é claro. Não somos todos comunistas, como dizem algumas pessoas, nem somos todos revolucionários, a única coisa que queremos em comum é a melhoria da qualidade da nossa Universidade e da sociedade, o que não caracteriza grupo nenhum uma vez que estes são desejos da maioria da população.
No meu caso, a entrada no C.A. foi natural, pois fazia parte dos meus sonhos participar de um movimento ainda não corrompido, radical em suas idéias e sólido, como eu via o movimento estudantil. Fui meio que por inércia, na minha vontade de mudar a universidade pública, na minha vontade de retribuir desde já o gasto que a população brasileira tem comigo, na minha vontade de mudar o mundo. Quero sim mudar o mundo, não gosto da forma que ele está, não vejo nada de estranho ou incorreto nisso, assim como não tenho vergonha de dizer que trabalho por isso sem medo de me frustrar.
As primeiras reuniões foram um pouco chocantes, muitas siglas desconhecidas, muitas palavras desconhecidas e uma sensação de incapacidade e impotência. Até perceber que o CAPB não considera hierarquias, que a minha palavra de caloura tinha exatamente o mesmo valor que a de qualquer “velho”. Aliás, lá, o termo calouro só foi usado carinhosamente e a diferença de tratamento conosco foi no máximo didática, quando se explicou uma sigla ou um órgão, etc (o que, aliás, foi muito bem feito!!).Também foi importante pra me ajudar a permanecer no CA, saber que nenhum movimento é feito por uma pessoa brilhante, que as grandes conquistas são feitas pelo coletivo. A personificação em mártires e líderes não só é falsa como é uma estratégia para estimular a desmobilização, pois faz com que nos comparemos a um grande Homem, e não a um povo que lutou como formiguinhas e conquistou.
Com relação a assumirmos a gestão do C.A. tão rápido - porque toda a gestão é da turma 74 da med - foi a melhor forma que encontramos, em coletivo, para gerir o CAPB em 2007. Não existe nada que impeça isso, existem dificuldades: a inexperiência e a insegurança que bate de vez em quando. É interessante dizer também, que no DCE e nos CAs a diferença entre o pessoal da gestão e os outros acadêmicos, são apenas o nome e a quantidade de trabalho. Na verdade, os CAs e o DCE estão abertos a projetos novos, todos ouvem a todos em suas reuniões e também confiam em todos os estudantes para desenvolver qualquer trabalho.
Bom, espero ter explicado a vocês o que eu acho que se encontra e o que se espera de um DCE ou CA, ou pelo menos o que eu espero. Mas é essencial que vocês saibam que qualquer conquista, por menor e simples que pareça, é difícil e precisa do empenho e do trabalho de todos.

Lara – Medicina 74


Ser Calouro

Não é qualquer universitário que realiza o sonho de estar no curso e na universidade almejada, o que, certamente, traz consigo tanto sentimentos de alegria e realização, quanto de medo e incerteza.
Estar em uma nova cidade (para a maioria); participar da inauguração de um novo campus; sermos as primeiras turmas, com certeza, dá aquele velho frio na barriga! Esta mais nova responsabilidade faz aumentar nossas expectativas, o desejo de lutarmos, e enfrentamos obstáculos, além de fortalecer-se quando se trata da busca por um ideal.
Quando sairmos daqui, veremos que não foi apenas um caminho que tivemos que percorrer para nossa formação profissional, e sim, uma lição de vida, com momentos únicos, ternos, difíceis, e de grandes mudanças. Veremos que aprendemos a lidar com todos os tipos de pessoas, fizemos novas amizades, e levamos ensinamentos essenciais para a vida toda.
É calouro, a partir de agora sua vida não será mais a mesma! Você irá se deparar com novas pessoas, caminhará por novas ruas, irá ficar confuso para se localizar entre os canais, ficará um pouco perdido no início até entender por completo os eixos e módulos. Você irá ouvir muito em proteína G, sinapses, gliconeogênese, renina angiotensina aldosterona,...
Os seus conceitos por certas coisas não terão mais a mesma dimensão: saúde será muito mais que apenas sentir-se bem. Aliás, o que é saúde pra você? Integração terá um sentido maior do que apenas aumentar o seu vínculo social. Você aprenderá a ver os problemas sociais com maior dinamismo e clareza nas aulas de inserção social e ATS, assim como seu lado crítico ficará mais fortificado pelas mesmas.
Ufa! Quanta novidade! São tantas que em seu primeiro ano de curso, já será capaz de perceber o conhecimento que adquiriu e o quanto amadureceu, mas não precisa se assustar tanto! Afinal, a vida universitária é muito mais do que as salas de aula e bibliotecas, ainda mais na Unifesp Baixada Santista.
Virão os barzinhos, a praia com a galera, os luais, as festas, os professores... E que professores! Além de doutores, serão ótimos companheiros e amigos.
Vocês enfrentarão tantas dificuldades quanto nós, primeira turma. A falta de espaço, materiais, refeitório, etc. serão nítidos, mas o que nunca podemos deixar faltar é a vontade de construirmos juntos esta universidade tão visada pelos vestibulandos. E, com certeza, todo esse conjunto fará um diferencial em sua vida.
Por isso calouro, parabéns pela vitória e seja bem-vindo à vida universitária! Curta! Aproveite essa fase única e indescritível de nossas vidas. Viva! Com a intensidade como se fosse o último dia.
Venha com garra, com força, com vontade de lutar, e principalmente, com alegria de viver!

Ana Paula Tanaka Hayashi - Unifesp Santos
Michelle Thiemi Miwa - Unifesp Santos

Corinthians e Palmeiras, PSDB e PSTU ou PT, Centro Acadêmico e Atlética: Variações Sobre um Mesmo Tema que Perduram a não Resolução do Essencial

Immanuel Kant, o criador da teoria criticista acerca do conhecimento, posicionou-se no argumento de afirmar que, tanto os racionalistas que defendiam a emergência da sabedoria a partir da razão, ou seja, indivíduo dependente, quanto os empiristas defensores do advento do conhecimento a partir dos sentidos, portanto objeto determinante, possuíam algo de verdade nas respectivas argumentações quanto à origem desse problema enunciado. Isso, translocado para a questão dos conflitos contemporâneos como o que ocorre no Brasil sobre os escândalos do PT pode armazenar extrema valia para uma análise mais abrangente de tais fatos.
Segundo a história da Filosofia, Kant faz com teoria do conhecimento aquilo que Nicolau Copérnico fez na astronomia. Segundo o próprio criador do criticismo, os racionalistas como Descartes e os empiristas como David Hume assavam um frango através de uma pitoresca maneira: o penoso se portava estático, enquanto ambos giravam o forno. Ressalta-se que as duas correntes criticadas por Kant possuíam idéias divergentes sobre o problema filosófico da origem do conhecimento.
Quando, no Brasil, é época de eleição, bombardeios de propostas que visam solucionar as contradições sociais chegam às casas alheias em todos os dias da campanha partidária obrigatória pela televisão. Muito se viu de neoliberalismo em oito anos de governo PSDB e, nestes, também, ouviu-se muita crítica por parte dos partidos de oposição, principalmente por parte do Partido dos Trabalhadores que, hoje, é governo escandalizado pela mídia. Não se vê, em nenhuma parte dos jornais televisivos, um projeto, seja governamental ou da própria sociedade, benéfico para o povo brasileiro.
De canal em canal, o país é o antro da sacanagem e do lema: “salvem-se quem puder”. No governo do PSDB ocorreram muitas privatizações, a maioria delas escandalosas, algumas, inclusive, em que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), entidade estatal, emprestou dinheiro para o Capital privado adquirir a então nacionalíssima Companhia Vale do Rio Doce. São os mesmos heróis por tal feito que, atualmente, contestam, com outra camisa, os agora governantes, estes zagueiros que, outrora, portavam-se como aqueles, atacantes.
Quando Kant afirma sobre a origem de o conhecimento provir do sujeito, ele coloca que ambos, empiristas e racionalistas, possuíam veracidade no argumento teórico principal. Segundo o criticismo, uma parte do conhecer provém do objeto, porém, a grande determinante do conhecimento, advém da sensibilidade do sujeito. Hoje, ninguém contesta a teoria kantiana acerca do conhecer, mas, ainda, a essência desse pensamento continua não aplicada. O dia da descoberta do projeto comum por rivais, tal qual o Brasil “de verdade” que o PSDB e o PT defendem, está por vir. Entender o papel do sujeito nisso tudo: deixa-se de ler apenas as linhas ou propostas e haverá o exercício daquilo que está deixado de fato pela História. Contradições que não sabem sequer dialogar, país mundial sobrevivente do naufrágio sem encontrar o litoral.

Rubens Luis Folchini Fernandes
Rubens Luis Folchini Fernandes é estudante de Medicina e admirador das simples conversas de bares de esquina.

Como chegar ao DCE

Para chegar ao DCE você deve encontrar uma estação do Metrô da cidade de São Paulo e buscar chegar até a estação Santa Cruz, da linha azul. Descendo nessa estação, a do metrô santa cruz você sairá do “Shopping” que há nela e descerá a Rua Pedro de Toledo até o número 840 onde tem um prédio com os seguintes escritos na parede: “Diretório Central dos Estudantes...” é lá o Diretório Central dos Estudantes. Quando você chegar até lá, procura alguém legal para conversar enquanto faz nada ou enquanto joga sinuca ou outra coisa. Se você quiser falar com alguém da diretoria vá até a Vanessa, na secretaria no primeiro andar e fale que você quer conversar com alguém da diretoria. Ela vai informar o que você tem que fazer para encontrar um desses.
Depois disso é só esperar um tempo, se precisar, nos CAs sabendo como é nos outros cursos, como funciona os CAs, o que eles pensam do DCE e tudo o mais.


O Manuscrito

O DCE-Unifesp agradece a todas as pessoas que trabalharam para conseguir por esse manuscrito na mão dos calouros.
Também agradecemos a todos os estudantes, principalmente aos calouros, que leram todas as matérias desse jornal ou pelo menos algumas delas. A informação é o primeiro passo para o questionamento.
Também convocamos todos os estudantes da Unifesp para a construção do novo DCE e da nova Unifesp. Dificilmente há um DCE como o nosso: tão aberto à participação dos estudantes e sem nenhum vínculo partidário. Temos que saber valorizar isso e lutar para que continue assim, para que a política de horizontalização continue e progrida, para que continuemos lutando contra a corrente maior, puxada por interesses financeiros e não pelo bem-estar e dignidade de nossos cidadãos.
A mensagem final aos estudantes é de esperança e luta. Temos que saber nossos direitos e nossos deveres. Temos que saber que existem momentos de diversão, momentos de dedicação acadêmica e momentos de compromisso e responsabilidade social.

O DCE, novamente, agradece.

Diretório Central dos Estudantes da Unifesp
Gestão “Contra~Corrente” 06/07
O DCE somos todos!

 
 
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