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História cronológica do Movimento Estudantil

 

O movimento estudantil brasileiro nasceu de forma organizada em 1901 com a criação da Federação de Estudantes Brasileiros, que durou muito pouco tempo devido a fatores políticos e pessoais dos fundadores. O Movimento Estudantil (ME) passou, durante nove anos,   morno até 1910, quando foi realizado o I Congresso Nacional de Estudantes em São Paulo. Dentre as deliberações desse congresso encontram-se a criação de uma União Nacional dos Estudantes que, porém, só viria a ser fundada em 1937, coincidindo com a instauração do Estado Novo por Getulio Vargas.

Até 1932, quando os estudantes paulistas participaram ativamente da Revolução Constitucionalista de São Paulo, diversas entidades estudantis se manifestaram na direção de acelerar a criação de uma entidade nacional de representação. Em 34 são criadas a Juventude Comunista, Juventude Integralista, Federação Vermelha dos Estudantes e a União Democrática Estudantil como representações de estudantes com ideologias semelhantes.

Contudo é só no dia 11 de agosto de 1937 que é criada a União Nacional dos Estudantes, que começa a funcionar no Rio de Janeiro sob a direção de Ana Amélia Queirós Carneiro de Mendonça. Em 38 acontece o II Congresso Nacional dos Estudantes e Valdir Ramos Borges é eleito o primeiro presidente da UNE.

O III Congresso da UNE elege presidente o paulista Trajano Pupo Neto. Entre outras medidas, cria a carteira única do estudante e solicita ao governo federal o reconhecimento da UNE como entidade oficial máxima de representação estudantil, mas como resposta, a UNE é despejada da sede da Casa do Estudante do Brasil e fica provisoriamente sem sede.

Só em 42, pelo decreto-lei no 4080, o presidente Getúlio Vargas institucionaliza a UNE como entidade representativa dos universitários brasileiros. Nesse mesmo ano estudantes promovem passeatas, em diversos estados do país, contra os países do Eixo e a UNE ocupa o prédio do Clube Germânia no Rio de Janeiro.

Os anos passam e os estudantes continuam lutando contra Getúlio Vargas. O Centro Acadêmico XI de Agosto organiza a Passeata do Silêncio contra Vargas, que acaba em violenta repressão policial, com a morte do estudante Jaime da Silva Teles e dois anos depois o estudante Demócrito de Souza Filho é assassinado, em Recife. Três dias depois, a UNE mobiliza estudantes contra a ditadura Vargas, em comício nas escadarias do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

A partir de 1947, iniciou-se a fase de hegemonia socialista na UNE, que foi até 1950. Nesse período, a entidade liderou campanhas nacionais contra a alta do custo de vida e em prol da indústria siderúrgica nacional e do monopólio estatal do petróleo (campanha O Petróleo É Nosso).

Em 1949 é realizado, na Bahia, o XII Congresso da UNE. Os estudantes conservadores, ligados a Paulo Egydio Martins, tentam conquistar a hegemonia no movimento estudantil, mas é eleito para a presidência da UNE o socialista Rogê Ferreira, o último da hegemonia socialista nesse período na UNE.

Durante os próximos seis anos a UNE viveu sua fase direitista, comandada por um grupo ligado à União Democrática Nacional (UDN).

Com a esquerda de novo no poder, a UNE apoiou, em 1961, a campanha da legalidade, a favor da posse de João Goulart, e reforçou sua ação no campo da cultura com a criação do Centro Popular de Cultura e da UNE Volante.

Em 1960 a UNE debate a reforma universitária brasileira, aproveitando a discussão do projeto da Lei de Diretrizes e Bases, e realiza, em Salvador, o Seminário Nacional de Reforma Universitária, que resulta na Declaração da Bahia, considerada um dos mais importantes textos programáticos do movimento estudantil brasileiro.

Em 1964, a Ditadura Militar incendeia a sede a UNE como forma de intimidação e invade as instalações da Faculdade Nacional de Direito, apreendendo documentos e acervos históricos do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, muitos que versavam sobre as atividades da UNE. O Prédio da Faculdade é cercado por tanques e grupos paramilitares de direita, que metralham a fachada do prédio e tentam incendiá-lo, com os estudantes dentro, mas são contidos por um capitão do Exército, Ivan Proença, que será foi expulso das forças armadas em razão deste gesto.

O 27o Congresso da UNE, em São Paulo, elege o paulista Antônio Xavier e é realizada uma campanha do movimento estudantil contra a Lei Suplicy de Lacerda. Nesse mesmo período começam a surgir os Diretórios Acadêmicos Livres. Alexandre Vannucchi Leme, aluno da Universidade de São Paulo (USP), é preso e morto pelos militares. A missa em sua memória, realizada em 30 de março na Catedral da Sé, em São Paulo, é o primeiro grande movimento de massa desde 1968.

            Depois de um período de inatividade da UNE, em 1976, iniciou-se um movimento pela reconstrução da entidade. Favoreceu o contexto de "abertura lenta e gradual" iniciada por Ernesto Geisel (1974-1979) e aprofundada por João Batista Figueiredo (1979-1985).

Em 1977, no dia 22 de setembro, as forças policiais da ditadura invadem o campus Monte Alegre da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em repressão ao ato público realizado pelos alunos em razão do 3º Encontro Nacional de Estudantes, que havia sido proibido pelo regime militar. Cerca de novecentas pessoas são detidas.

Em 1984 a UNE participa da campanha pelas Diretas Já e partir daí o movimento estudantil brasileiro foi lentamente recuperando seu lugar e sua importância na política nacional. Entre 1986 e 1988 a UNE e a UBES vão reorganizando o movimento de base, reabrindo ou auxiliando na criação de entidades de base (Centros e Diretórios Acadêmicos e Grêmios Estudantis), com amparo de legislação federal promulgada em 1985 que liberalizava a organização do movimento estudantil. Também em 1988 são realizados atos e passeatas em tom crescente, que vão desaguar nos grandes movimentos de rua, com diversas passeatas estudantis no Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais. Em 1989, campanhas contra o aumento das mensalidades estudantis e em prol de mais verbas para o ensino público, resgatam o espírito do movimento, desestruturado desde a década de 1960. O ápice são as passeatas coordenadas nacionalmente que ocorreram em seis de setembro de 1989, no embalo da véspera da primeira eleição direta presidencial pós-ditadura, com epicentro no Rio de Janeiro.

Passada a eleição, a bandeira do 'Fora Collor' foi levantada no Congresso da UNE de 1991, antes da instalação das CPIs e das denúncias de corrupção. Com as denúncias o movimento organizado pela UNE ganhou uma cobertura nacional o que a transformou no principal motor na campanha pelo impeachment.

O grande destaque desse período foi a campanha pelo impeachment do presidente Fernando Collor, marcada pelas grandes manifestações de rua lideradas pelos estudantes caras-pintadas em 1992 e em 94 a UNE consegue retomar o terreno da Praia do Flamengo, 132, onde funcionou a sua sede histórica. A partir daí, o movimento estudantil e a UNE entram em refluxo, com movimentos de menor escala que vão diminuindo de intensidade ao longo da década de 1990, com ressalvas a participação da UNE nos movimentos de rua contrários à privatização das empresas estatais, entre 1994 e 1998.

A UNE tem seu foco de atuação principal na cobrança por melhores condições de ensino, maior financiamento público para as instituições de ensino superior, pela liberdade de organização estudantil, contra a cobrança abusiva de mensalidades, além de um projeto de desenvolvimento nacional que integre crescimento econômico com distribuição de renda, criação de empregos e soberania nacional, ou seja, está desvirtuado de suas lutas tradicionais, ou se não, esse aumento dos horizontes enfraqueceu as lutas centrais.

Com a vitória de Lula da Silva e do PT nas eleições presidenciais de 2002 e 2006 a UNE viu uma via para a conquista de alguns de seus objetivos sem a necessidade de mobilizações estudantis. Uma prova da forte ligação da atual UNE com o governo foi a apatia ao ir ás ruas pedir no mínimo explicações ao presidente sobre os vários escândalos que a imprensa noticiava. E quando a UNE foi às ruas estava protestando contra a imprensa e os golpistas e a favor do presidente Lula, mesmo com tudo, parecendo ter se tornado tolerante ás práticas corruptas se essas forem endossar seus interesses, ou seja, a UNE caminha para se transformar em mais uma instituição vendida num país corrupto. Prova disso é disposição da UNE para discutir com o governo o projeto de privatização da Universidade Pública e Gratuita Brasileira, denominado como Reforma Universitária, quando tempos atrás talvez ela já tivesse ido às ruas exigir a aprovação de um projeto elaborado pelos estudantes brasileiros e não pelos donos de Universidades Particulares.

Cairo/CG-DCE/Biomed39
"O sonho não acabou"

 
 
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